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O bom momento do varejo, que cresceu 5,9% em 2009 e projeta expansão acima de 8% este ano, está impulsionando investimentos do setor em informática. Empresas de tecnologia da informação (TI) se armam para acirrar a disputa nesse mercado com a grande demanda por equipamentos e programas para a automação de vendas e gestão de estoques e contabilidade.

O movimento é incentivado pela exigência crescente de registro fiscal e balanço eletrônico.

Segundo Rodrigo Rasera, diretor de marketing da Bematech, líder no segmento de hardware e software para o comércio, apenas 20% dos estabelecimentos comerciais no Brasil contam com sistemas de gestão e menos de um terço emite nota fiscal por meio de impressoras informatizadas.

"Ainda existe um mercado muito grande a ser explorado nesse setor. A maior parte do varejo brasileiro ainda está na fase de profissionalização, em que começa a usar a tecnologia como mais do que um acessório", avalia.

A empresa paranaense, cuja receita líquida ficou em R$ 85,2 milhões entre janeiro e setembro de 2009, espera aumentar em mais de 10% as vendas este ano. "Nossa operação é focada no comércio e serviços. O empresário do varejo só investe quando realmente vê perspectiva de crescimento. O investimento em TI costuma antecipar a atividade econômica. Em 2009, a crise impactou o varejo, que foi se recuperando ao longo do ano. Para 2010, há muito otimismo e o mercado de TI já está superaquecido", diz Rasera.

O executivo lembra que outro fator que impulsiona o investimento do comércio em tecnologia é a crescente pressão regulatória de Estados e municípios para a adoção de controle fiscal informatizado, como a Nota Fiscal Paulista. "É uma tendência sem volta. Estados como o Rio já estão em processo de implantação."

Para essa demanda, a Bematech lançou em janeiro um pacote que une seus equipamentos e um aplicativo a softwares de pequenas empresas parceiras, que ficam com a assistência e se livram dos custos de homologação dos programas.

Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), o mercado brasileiro de TI movimenta mais de US$ 100 bilhões por ano e cresceu 2,1% em 2009. Mesmo com a crise, muitos empresários investiram em sistemas de gestão para controlar custos. Para 2010, a previsão de consultorias especializadas é de expansão de pelo menos 8%.

Gigante do setor de software, a Totvs criou soluções segmentadas, com especificidades para vários ramos do varejo, como supermercados, drogarias, revendedoras de automóveis, lojas de departamentos e de material de construção. A empresa, que tem aumentando sua carteira na mesma velocidade com que cresce por meio de aquisições, diz já ter 1.650 clientes nesses segmentos. Fechou 2009 com lucro de R$ 120,3 milhões, 150% acima do ano anterior.

Para José Rogério Luiz, vice-presidente da Totvs, as melhores oportunidades estão na oferta de soluções customizadas, adaptadas às necessidades do cliente. "Hoje é muito difícil para uma empresa de qualquer tamanho tocar seu negócio sem softwares de gestão. Virou gênero de primeira necessidade." Correndo por fora, as empresas de menor porte mantêm a aposta em soluções padronizadas, que proporcionam menor preço, de olho nos pequenos comerciantes. É o caso da carioca Nasajon, com 15 mil clientes no portfólio. A empresa sentiu o aumento das vendas ainda no ano passado, quando faturou R$ 14 milhões, 17,8% acima do resultado de 2008. Para 2010, espera crescer até 25%.

"Vendemos o produto pronto. Isso tem uma vantagem. Com o número muito maior de usuários do mesmo sistema, raramente dá problema. A operação é permanentemente ajustada. No customizado, a confiabilidade cai muito", diz Claudio Nasajon, sócio da empresa que fundou com um irmão. Para ele, o diferencial nesse segmento é a proximidade com o cliente. Além de visitas, diz, é preciso manter um call center afiado para tirar dúvidas e solucionar rapidamente descontinuidades, sem prejudicar a operação dos lojistas. Boa parte dos que chegam à empresa têm pouca ou nenhuma intimidade com computadores. As informações são da edição de sábado do jornal O Estado de S.Paulo.

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