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A expansão do mercado de tecnologias ambientais, como tratamento de água, gestão de resíduos e controle de poluição já provoca uma onda de consolidação no setor, dentro e fora do Brasil. Com recursos próprios ou com a ajuda de fundos de investimentos, empresas do ramo estão indo às compras e criando holdings ambientais.

No Brasil, o maior expoente dessa tendência é a Haztec, empresa com sede no Rio de Janeiro. Criada há dez anos por três recém-formados para atuar na prevenção de vazamentos em postos de combustíveis, a companhia chamou a atenção de investidores interessados no mercado de infra-estrutura.

Em 2003, a Haztec teve o controle adquirido pelo Synthesis, grupo nacional de private equity. O grande salto, no entanto, veio entre 2007 e 2008. Com investimentos feitos pelos fundos Infra Brasil, do Banco Real, e FIP Multisetorial, do Bradesco BBI, a Haztec adquiriu seis empresas em dois anos, cada uma com uma especialidade ambiental. Assim, passou a atuar em cinco diferentes linhas de negócios.

Isso permitiu um salto no faturamento, que passou de R$ 40 milhões em 2006 para R$ 310 milhões em 2008. Para este ano, a expectativa é chegar a R$ 420 milhões. "É um número significativo para um mercado que praticamente inexistia há dez anos", afirma Marcos Ferreira, presidente da Haztec. Segundo ele, o grande motor desse mercado foi a Lei de Crimes Ambientais, que passou a aplicar multas de até R$ 50 milhões para empresas poluidoras. "As companhias passaram a perceber que ter gestão ambiental gera uma sobra de caixa."
A última aquisição do grupo Haztec, a NovaGerar, que opera aterros sanitários e na venda de créditos de carbono no mercado internacional, deve trazer uma nova oportunidade de negócios: a produção de eletricidade a partir do biogás, que resulta da decomposição do lixo.

Fora do Brasil, a formação de holdings ambientais já vem ocorrendo há alguns anos. Um exemplo é a alemã Remondis, grupo familiar fundado em 1934 para atuar no transporte de resíduos. Graças a parcerias público-privadas, a empresa cresceu e seguiu comprando concorrentes. Hoje tem operações em 25 países, nas áreas de água, reciclagem, energia e pesquisa e desenvolvimento de novos materiais a partir do lixo. Outra que percorreu trajetória semelhante é a francesa Veolia, presente em 67 países, inclusive no Brasil, com faturamento anual de 33 bilhões.

EXPANSÃO
O mercado de tecnologias ambientais movimentou cerca de US$ 5 bilhões no Brasil no ano passado, e cresce a taxas de 5,4% ao ano. "Mesmo no cenário de crise, o mercado ambiental tende a crescer. As empresas são cobradas a reduzir a poluição e com isso descobrem que é possível economizar", afirma Thomas Kunze, da consultoria alemã Roland Berger.

Ele prepara estudo detalhado sobre esse mercado no Brasil, que será divulgado durante a Ecogerma, a maior feira do setor realizada no País, em março. No mundo, o mercado de sustentabilidade movimenta 1 trilhão e deve dobrar até 2020.

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