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Geólogo João Cavalvante, ex-sócio do 7º homem mais rico do mundo, diz que bilionário do grupo EBX "não gosta de pagar"

O empresário Eike Batista se aproximou do geólogo João Carlos Cavalcanti há cerca de dez anos para juntos criarem a IRX, que seria posteriormente o embrião da MMX - o braço minerador do grupo EBX, que Batista criaria para investir em energia, infraestrutura, mineração, petróleo e gás.

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A parceria terminou em uma disputa milionária que corre na Justiça desde 2005. Cavalcanti cobra R$ 22 milhões de Eike Batista, acusado de perder o prazo de execução de licenças de pesquisas geológicas obtidas pelo ex-sócio junto ao Departamento Nacional de Pesquisa Mineral (DNPM). "Ele assinou um contrato comigo, se comprometendo a fazer as pesquisas. Mas acabou não fazendo e as áreas foram perdidas", afirma o geólogo. "Havia valores que tinham de ser cumpridos e o Eike não quis pagar. Fomos para Justiça e estamos brigando. Já tivemos duas ou três audiências no Rio", afirma.

Cavalcanti, o JC, em seu jatinho:
AE
Cavalcanti, o JC, em seu jatinho: "Ele assinou um contrato comigo, se comprometendo a fazer as pesquisas. Mas acabou não fazendo e as áreas foram perdidas"
Ele conta que vendeu 80% de projetos de minério de ferro para Batista, que teria se interessando nos trabalhos que o então sócio desenvolvia para criar a mina ferro de Caetité, na Bahia. Segundo Cavalcanti, após uma conversa com o então governador baiano Paulo Souto, Batista decidiu pular fora do projeto. "Ele saiu de Caetité alegando que não tinha infraestrutura. Mas saiu mesmo porque o Paulo Souto disse que aquilo era um chute, não tinha minério. Agora o projeto está aí", diz.

Caetité foi vendido para o grupo Zamin Ferrous, do indiano Pramod Agarwal. A reserva pertence hoje à cazaque Eurasian Natural Resources Corp (ENRC), que arrematou a mina em duas fases, totalizando US$ 670 milhões. Cavalcanti afirma ter sido procurado por 54 investidores antes de optar por Argarwal.

Depois da briga com Eike Batista, ele se mostra crítico em relação aos negócios do empresário. “Não sou igual ao Eike, o que eu prometo eu entrego", compara. "Ele era vendedor de enciclopédia na Alemanha e é um grande marqueteiro", opina o ex-sócio do homem listado pela revista americana Forbes como o sétimo mais rico do globo .

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O iG procurou Eike Batista, que preferiu não se manifestar sobre o antigo sócio.

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