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secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland, diz que países são o destino de capitais estrangeiros

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O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland, afirmou nesta terça-feira que o mundo está em duas velocidades: o crescimento econômico dos emergentes e o dos países avançados. Segundo ele, as economias emergentes apresentam melhor solidez econômica e, por isso, são o destino de capitais estrangeiros. "Estamos falando de um bom problema e cabe às autoridades do Brasil lidar com tranquilidade, sem ruptura de contratos e sem afetar as taxas de crescimento", disse, ao participar de debate na Câmara dos Deputados sobre a liberalização financeira e o controle de capitais.

O secretário afirmou que boas notícias trazem algumas cautelas. Por isso, o governo tem adotado medidas para mitigar os efeitos dos capitais "que não nos interessam". Ele lembrou que os investimentos estrangeiros diretos seguem crescendo no País e devem atingir em torno de US$ 50 bilhões este ano. "A convergência do crescimento está remota neste momento dados os problemas nas economias mundiais", avaliou. "Essa dupla velocidade do crescimento faz dos mercados emergentes destinos atrativos para capital", completou. Segundo ele, o problema não é só nível do dólar, mas a variabilidade que cria problemas no comércio mundial.

Ele acredita que a pressão sobre o câmbio deve ser reduzida a partir do segundo semestre deste ano com o início do aperto monetário na Europa. "O mercado financeiro interpreta antes e já começa a precificar", destacou.

Holland disse que o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para conter capital especulativo no Brasil é amplamente respaldado por economistas e organismos multilaterais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI). Ele afirmou que o governo adotou medidas de consolidação fiscal e prudenciais para ajudar o Banco Central na política monetária e evitar taxas excessivas de juros. "Nosso maior trabalho hoje é reduzir as taxas de juros. Estas políticas vieram para fazer com que a política monetária fosse mais potente e eficaz."

Holland afirmou que o controle de capitais não é um instrumento apenas para os países que não fizeram o dever de casa, como foi no passado. "Hoje é um instrumento adicional junto com a política fiscal e as medidas prudenciais", disse, destacando que a discussão não pode ser ideológica. Segundo ele, o Brasil está crescendo de forma ordenada, ao contrário das principais economias do mundo. "Se algum analista tivesse sido congelado em 1990 e acordasse no Brasil hoje, não acreditaria no meu discurso neste momento", afirmou.

O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda disse ainda que o Brasil está preparado para a reversão dos fluxos de capital. Segundo ele, o País tem colchão de liquidez. Holland destacou também a recomposição das reservas internacionais.

Inflação

Na avaliação de Holland, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho "será bem menor" que o 0,47% apurado em maio pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). "O IPCA mostrou uma descompressão completa", afirmou, ao deixar a Câmara dos Deputados.

Antes, ele havia afirmado que a inflação medida pelo IPCA não ficará, este ano, fora da banda superior da meta do governo, que é de 6,5%, e irá convergir para o centro da meta, de 4,5%, em 2012. Segundo ele, não há no Brasil um problema de descontrole inflacionário ou fiscal. O secretário afirmou que a dívida líquida pública em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) vai convergir para 30%, "antes do que a gente imaginava".

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