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SÃO PAULO - A Embraer ainda não vê necessidade de financiar diretamente seus clientes por conta da crise mundial, que tem reduzido a disponibilidade de crédito no mercado. Ainda assim, a fabricante brasileira afirma estar preparada para, se necessário, financiar temporariamente os compradores de seus aviões que venham a ter dificuldade de obter recursos nas instituições financeiras tradicionais.

"Hoje a situação é de incerteza. O mercado está sofrendo um processo de retenção de financiamento, o qual estamos acompanhando de perto", afirma o vice-presidente de Finanças da companhia, Antônio Luiz Pizarro Manso. Segundo ele, a empresa já tem uma idéia do que pode ocorrer no curto prazo, "nos próximos oito a nove meses", em relação às entregas.

"Não vemos ainda necessidade de financiar diretamente. Mesmo nesse caso, mantemos nossa política de que, se concedermos crédito, seria algo curto e temporário; apenas uma ponte", disse. "Mas estamos prontos para atender a essa demanda, caso necessário", acrescentou.

No radar da Embraer, já aparecem alguns sinais de problemas, mas que ainda não são suficientes para iniciar o processo de financiamento próprio. Manso lembra que, até o momento, a fabricante não recebeu nenhum cancelamento de pedidos de seus clientes, embora alguns já tenham solicitado adiamentos de entregas.

No total, informa Manso, cinco aviões que seriam enviados neste ano foram postergados para 2009. Com isso, serão antecipadas algumas entregas e, portanto, a expectativa da empresa continua a ser a de enviar entre 195 e 200 jatos comerciais a clientes neste ano.

Para 2009, a Embraer mantém no momento a previsão de entregas, que é igual à deste ano. Isso deve ser alterado em breve, para acomodar nas previsões o impacto da crise mundial e, consequentemente, o efeito sobre a demanda de seus clientes. "Estamos reavaliando (nossa previsão de entregas para 2009), mas ainda não temos uma definição", disse Manso.

(José Sergio Osse | Valor Online)

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