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De acordo com presidente-executivo da empresa, contrato foi discutido pelo governo brasileiro em reuniões com a Casa Branca

A fabricante brasileira de aviões Embraer acredita que conseguir novamente um contrato com a Força Aérea dos Estados Unidos provaria que o cancelamento da licitação anterior vencida pela aeronave Super Tucano da empresa não teve motivações políticas.

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A Embraer venceu e em seguida perdeu abruptamente um contrato que poderia chegar a US$ 1 bilhão com a Força Aérea dos EUA para fornecer aviões de ataque leve para uso no Afeganistão.

O presidente-executivo da Embraer, Frederico Curado, disse nesta terça-feira que o contrato foi discutido pelo governo brasileiro em reuniões com a Casa Branca na segunda-feira e que a empresa espera conseguir realizar uma proposta novamente em algumas semanas.

A visita da presidente do Brasil, Dilma Rousseff, ao presidente norte-americano , Barack Obama, na segunda-feira atraiu atenção para algumas divergências entre os países, com Dilma reclamando a respeito da política monetária dos EUA e das sanções promovidas pelo país ao Irã. O cancelamento do contrato da Embraer foi outro ponto das conversas.

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A empresa norte-americana Sierra Nevada e a Embraer superaram a Hawker Beechcraft na disputa pelo contrato com a Força Aérea dos EUA em dezembro.

Mas a Força Aérea norte-americana cancelou em fevereiro a concessão do contrato inicial, estimado em 355 milhões de dólares, quando descobriu problemas na documentação enquanto se preparava para um processo movido pela Hawker Beechcraft contra o resultado da licitação.

O cancelamento levantou suspeitas no Brasil de que a decisão foi tomada para que Obama, que concorre a reeleição em novembro, não pudesse ser acusado de deslocar empregos dos EUA para outros países.

"Nós temos que confiar, em princípio, naquilo que nos foi dito... Se tivermos o mesmo processo de concorrência, as mesmas especificações... temos de acreditar que seremos selecionados novamente, e isso provará que não houve influência política naquela decisão", disse Curado.O presidente-executivo da Embraer negou a possibilidade de que empregos norte-americanos seriam transferidos para o Brasil.

"É impreciso dizer isso", disse, citando o fato de que a montagem final das aeronaves seria realizada nos EUA. "Seria uma aeronave construída pelos EUA", disse Curado. Conseguir novamente a concessão ajudaria a manter 1,2 mil empregos na Embraer, na Sierra Nevada e em fornecedores e contratados norte-americanos, segundo a fabricante brasileira.

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