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Por Fabio Gehrke SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em queda nesta sexta-feira, sessão de extrema volatilidade, devido a diversas intervenções do Banco Central após operar em forte alta puxado por movimentos especulativos.

A moeda norte-americana caiu 1,12 por cento, a 2,480 reais.

A sessão do mercado cambial desta sexta-feira foi marcada pela volatilidade registrada principalmente na parte da tarde.

O dólar, que atingiu a máxima a 2,619 reais, maior patamar desde 18 de abril de 2005, teve sua alta contida por uma série de atuações do BC. Na mínima, a divisa caiu 2,63 por cento, a 2,442 reais.

Durante a manhã, a moeda norte-americana era pressionada por movimentos especulativos e saídas de recursos em meio a um ambiente internacional pessimista. Neste período, o Banco Central realizou dois leilões no mercado à vista, sem no entanto conter o avanço da moeda.

"Tem muita especulação e o volume de câmbio à vista está bem baixo", afirmou Jorge Knauer, gerente de câmbio do Banco Prosper no Rio de Janeiro, durante a tarde, quando o volume negociado não atingia 1,5 bilhão de dólares.

Segundo Knauer, as pressões especulativas ocorrem via mercados futuros, onde agentes possuem grandes quantias em posições compradas que funcionam como uma aposta na alta do dólar.

De acordo com os últimos dados atualizados da BM&F, os estrangeiros possuíam o equivalente a mais de 13 bilhões de dólares nestas posições.

Knauer também lembrou que no mês de dezembro, o fluxo de saída de recursos é intensificado pelo fechamento dos balanços das empresas e suas remessas para o exterior.

Mas uma série de intervenções do Banco Central no início da tarde inverteu a tendência do mercado cambial.

A autoridade realizou um novo leilão de venda de dólares de reservas no mercado à vista e dois leilões de swap cambial tradicional.

Apesar do impacto das atuações do BC no mercado nesta sexta-feira, analistas ponderam que tais medidas devem ter resultados limitados na cotação do dólar no médio prazo.

"A pressão maior está em instrumentos que o BC não consegue combater. As ferramentas que ele tem, que não são poucas, não têm como mexer onde está ocorrendo a especulação."

Paulo Fujisaki, analista de mercado da Corretora Socopa, acredita que as pressões decorrente das remessas de final de ano em dezembro junto com o pessimismo do cenário global dificilmente serão contidas pelo Banco Central.

"Ele tem que entrar um pouco mais forte para segurar este dólar, principalmente no dólar pronto (mercado à vista)", afirmou, lembrando que a autoridade monetária tem atuado com maiores quantias no mercado futuro, com leilões de swap cambial, que segundo analistas, podem estar se tornando um instrumento de lucratividade do mercado.

(Edição de Vanessa Stelzer)

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