Tamanho do texto

Presidenta disse que o "Brasil não tem nenhuma fraqueza", além de ter criticado a importação de produtos com preços manipulados

O governador da Bahia, Jaques Wagner, e a presidenta Dilma Rousseff, em evento nesta sexta em Salvador
Manu Dias/Governo da Bahia
O governador da Bahia, Jaques Wagner, e a presidenta Dilma Rousseff, em evento nesta sexta em Salvador
Em sua primeira aparição pública após a troca de comando do ministério da Defesa , a presidenta Dilma Rousseff evitou falar de política e privilegiou os temas econômicos, ao defender ações de proteção à indústria diante do agravamento do cenário econômico mundial.

Dilma participou, no início da tarde desta sexta-feira (5), em Salvador, de evento de lançamento de programa social do governo da Bahia. Deixou a cidade sem falar com a imprensa e seguiu para Juazeiro, no norte baiano, para ato de entrega de unidades do programa Minha Casa, Minha Vida.

Em Salvador, Dilma falou de improviso por meia hora, para uma plateia composta principalmente por agricultores familiares, militantes sociais e políticos. Defendeu ações sociais da gestão do PT no Planalto e foi enfática ao comentar o cenário econômico mundial e a política industrial lançada nesta semana por seu governo.

“Não podemos deixar que, por conta da crise internacional, eles venham aqui diminuindo valor de seus produtos, que não têm onde ser colocados lá fora, eles entrem aqui e façam uma destruição de nossos empregos. Nós não podemos deixar isso, e não vamos deixar”, afirmou.

A presidenta disse que “ hoje o Brasil ainda está mais forte do que estava em 2008 ”, em referência à crise mundial iniciada há três anos. Citou “dois números que deixam claro”, segundo ela, a capacidade do País de enfrentar os problemas no front externo: a elevação em 60%, desde 2008, do nível de reservas internacionais do País e também o aumento do chamado compulsório, a fatia dos depósitos que os bancos devem manter recolhidas no Banco Central. “O Brasil não tem nenhuma fraqueza”, concluiu.

Dilma também demonstrou preocupação com uma possível invasão de produtos importados no País, impulsionada pela valorização do real . “Nós não vamos deixar que eles acabem com o trabalho mais qualificado no País, infiltrando no País toda sorte de produtos importados. Não somos contra a importação (...), nós somos contra a importação de produtos que, de alguma forma, o preço está manipulado, o preço de referência está incorreto, é fruto de concorrência desleal ou são fraudulentos, que entram no Brasil sem pagar a totalidade dos tributos que devem”, disse.

Em demonstração da relação de proximidade que mantém com o governador da Bahia, a presidenta chamou Jaques Wagner de “meu companheiro, meu querido amigo e parceiro de tantas jornadas conjuntas”. Citou a primeira-dama da Bahia, Fátima Mendonça, como “dama de primeiríssima” e disse “Evinha” ao se referir à secretária da casa Civil de Wagner, Eva Chiavon.

Wagner dá tom político ao evento

Foi Wagner quem deu o tom político do evento. Em discurso, chamou a presidenta de “mulher coragem”, justificando a denominação pelas ações de Dilma nas crises recentes nos ministérios da Defesa e dos Transportes.

“Agora mais recentemente, quando a senhora foi chamada a enfrentar um problema logo no começo do governo, a senhora teve a coragem - por isso para mim mulher coragem - de enfrentar aqueles que ainda não entenderam que o povo brasileiro não aceita mais que dinheiro público saia pelos ralos de qualquer caminho errado”, disse o petista, em referência às mudanças promovidas pelo Planalto na pasta que cuida das obras viárias no País.

Como em entrevista concedida antes do evento, Wagner também mencionou a saída do ex-ministro Nelson Jobim da pasta da Defesa. “E finalmente teve a coragem, em um momento onde o tratamento não foi correto entre seus auxiliares, de dizer que, entre nós, exigimos respeito entre todos os ministros, e, portanto, soube fazer com muita rapidez aquilo que era necessário”, afirmou.

    Notícias Recomendadas

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.