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SÃO PAULO - Os Fundos de Ações de Mercados Emergentes registraram a quinta semana consecutiva de perda de recursos. Depois de US$ 4,3 bilhões terem ido embora entre o final de junho e o começo de julho, a categoria foi alvo de novos saques, que somaram US$ 3,41 bilhões, na semana encerrada dia 9 de julho.

Segundo a EPFR Global, consultoria responsável pelo acompanhamento, as saídas refletem o fraco desempenho do mercado de ações em âmbito mundial e a preocupação com os preços do petróleo, que são uma ameaça para a trajetória da inflação.

Ainda de acordo com a EPFR, os dados sobre a movimentação diária dos fundos de mercados emergentes mostram que os investidores venderam essa classe de ativos durante os últimos 25 dias.

A categoria, Ásia (ex-Japão) continua liderando as perdas, com saques superiores a US$ 1 bilhão pela quinta semana consecutiva. Os Fundos de Ativos da América Latina perderam outros US$ 564 milhões. Os diversificados Mercados Emergentes Globais viram US$ 593 milhões irem embora, e os emergentes da Europa, Oriente Médio e África (EMEA, na sigla em inglês), tiveram retiradas de US$ 421 milhões.

Boa parte desses recursos foi canalizado para os Money Market Funds (que buscam investimento de curto prazo com baixo risco), que já acumulam US$ 27 bilhões em captações em 2008.

Enquanto parte da migração dos recursos para os Money Market Funds pode ser atribuída às oportunidades de arbitragem, uma boa fatia dessa cifra corresponde ao já conhecido e tradicional vôo para a segurança, disse o diretor-gerente da EPFR Global, Brad Durham, por meio de comunicado.

Durham também afirma que a movimentação entre os fundos foi menos intensa nessa semana, apesar do ambiente bastante conturbado. Segundo o especialista, o saldo líquido de todos os grupos de fundos acompanhados semanalmente ficou negativo em apenas US$ 2,5 bilhões, contra um resultado negativo de US$ 27 bilhões registrados na última semana de junho.

Entre os desenvolvidos, chama atenção a captação de recursos pelos Fundos de Ações dos Estados Unidos. A categoria recebeu outros US$ 2,58 bilhões na semana encerrada dia 9, apesar do fraco desempenho das ações e da crescente preocupação com a solvência de bancos e empresas hipotecárias.

A fraca performance também não se mostrou um problema para os Fundos de Ações do Japão. No período, o índice Nikkei-225, principal indicador da Bolsa de Tóquio, marcou 12 pregões seguidos de baixa, pior desempenho desde 1954. Mas isso não impediu que os fundos captassem recursos pela 10ª semana consecutiva.

Segundo a consultoria, há a crença de que as empresas japonesas, em especial as exportadoras, estão mais bem posicionadas do que seus pares desenvolvidos para atravessar o período de menor crescimento econômico. As companhias são mais eficientes e têm sólidas posições de caixa.

Visão completamente oposta continua prevalecendo na Europa. Os investidores sacaram outros US$ 741 milhões dos fundos de ações da região. Setor financeiro frágil, economia com baixo crescimento e inflação em alta dão motivos de sobra para os saques, segundo a EPFR.

Os fundos setoriais apresentaram mais uma semana de desempenho no mínimo curioso. Mesmo com o aumento dos problemas no setor financeiro dos EUA e Europa, a categoria Finanças captou dinheiro novo pela sexta semana consecutiva.

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