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O dia da decisão do Copom foi de movimento intenso e fortemente especulativo no segmento de juros, que conduziu a uma trajetória firme de queda nas taxas futuras antes de o mercado conhecer a decisão. O volume negociado foi extraordinário, superando o recorde anterior de 3,162 milhões de contratos em 17/4/2008, segundo informações da BM&F.

O recuo das taxas refletiu uma corrida de última hora para as apostas em estabilidade da taxa Selic, em 8,75%, que se confirmou após o fechamento dos negócios.

O mercado continuou dividido ao longo do dia em relação ao resultado do encontro, que terminou ontem. Na terça-feira, o quadro pendia mais para uma elevação da taxa básica já este mês, uma vez que a precificação da curva a termo apontava 54% de possibilidade de um aumento de 0,50 ponto porcentual para a taxa. Ontem, contudo, o movimento se inverteu e a curva de juros reduziu a cerca de 40% a possibilidade de um aumento da taxa básica em março.

Por isso, no encerramento dos negócios, o juro para abril de 2010 cedeu a 8,799%; a taxa para julho de 2010 caiu a 9,27%; e para janeiro de 2011 recuou a 10,45%. Nas mesas de renda fixa, os comentários davam conta de que este foi o Copom mais difícil dos últimos tempos. "Nunca vi um movimento dessa magnitude antes do Copom", disse um operador.

O noticiário não deu motivos para o avanço das apostas em manutenção do juro no atual patamar de 8,75% e os operadores não identificaram razões claras que pudessem ter estimulado a corrida. Ao contrário, o Ministério do Trabalho informou que o saldo líquido de empregos criados com carteira assinada no País em fevereiro foi de 209.425, um novo recorde para o mês, o que reforçaria os argumentos de que há urgência de um ajuste de alta da Selic.

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