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O mercado brasileiro ficou apertado demais para a Electrolux e para a Mabe, dois dos maiores fabricantes mundiais de fogões, geladeiras e máquinas de lavar. De setembro para cá, a Electrolux atacou a Mabe (dona das marcas GE e Dako) em duas frentes.

Primeiro, acusou a concorrente de piratear seus produtos. Depois, foi ao Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar) e acusou a Mabe de fazer propaganda enganosa. "Parece despeito", diz Patrício Mendizábal, presidente da Mabe para o Mercosul.

"Estamos crescendo, incomodando e por isso eles tentam nos desqualificar."
Por trás do clima belicoso, há um mercado que movimenta cerca de R$ 9 bilhões por ano. Atualmente, o setor é dominado por três grandes multinacionais. A líder, com aproximadamente 35% de participação, é a americana Whirpool, dona das marcas Brastemp e Consul. A sueca Electrolux tem cerca de 20%. A Mabe, mexicana, tem 16%. Essa contabilidade, extra-oficial, é feita informalmente pelos próprios fabricantes. Segundo executivos do setor, como eles não confiam uns nos outros, não divulgam seus números oficiais. Nem a Eletros, entidade que representa o setor, consegue essas informações.

A ofensiva jurídica da Electrolux começou em setembro, quando seus advogados enviaram à direção da Mabe duas notificações extrajudiciais acusando a rival de pirataria. Segundo as notificações, duas linhas de fogões - uma da marca Mabe e outra da Dako - copiaram o painel frontal de projetos patenteados pela Electrolux. "V.Sas. (...) Copiam servil e parasitariamente os desenhos industriais de propriedade exclusiva da Notificante (Electrolux) com o efeito de se aproveitar do renome e prestígio da Electrolux", dizem os documentos.

Em outubro, a Electrolux enviou ao Conar uma reclamação formal contra uma propaganda em que a Mabe declara ter a melhor lavadora do mercado. De acordo com a representação, quando afirma isso a Mabe faz propaganda "enganosa, levando a equívoco o consumidor", porque "na verdade, as lavadoras da Electrolux são melhores". Na representação, a Electrolux pedia a suspensão imediata da propaganda da concorrente - que foi negada pelo Conar.

Mendizábal, o presidente da Mabe, nega as acusações de pirataria e de propaganda enganosa. "Temos desenhos próprios, não precisamos copiar de ninguém", afirma ele. "A Electrolux pode até dizer que a lavadora dela é melhor, mas não pode nos impedir de dizer a mesma coisa do nosso produto." Procurada, a Electrolux não quis se manifestar.

Maior fabricante de linha branca da América Latina, a Mabe entrou no Brasil em 2003. Primeiro comprou uma fábrica de geladeiras da CCE, depois adquiriu a GE-Dako S/A. Líder na venda de fogões populares e com atuação mais discreta nos outros nichos de mercado, a empresa deve faturar R$ 1,4 bilhão até o fim do ano.

Em setembro, com a atriz Malu Mader como garota-propaganda, a empresa lançou a marca própria Mabe - uma linha mais sofisticada, com o objetivo de pescar clientes no público de renda mais alta. Com esse movimento, a Mabe invadiu o território da Electrolux, especializada em produtos mais requintados. "Nós entramos num mercado que estava bastante sossegado e fomos ganhando espaço. Acho que nossos concorrentes não gostaram", afirma Mendizábal.

No ano que vem, a temperatura tende a subir. Como o setor de eletrodomésticos depende fortemente das vendas à prazo, espera-se uma queda razoável no primeiro semestre de 2009 em função da crise econômica mundial e da alta do dólar - que deverá afetar os preços. Esses são fatores que atingem todos os fabricantes, mas há uma outra situação que envolve diretamente a Electrolux e a Mabe. Neste momento, a Mabe mundial negocia a compra da linha branca da GE nos Estados Unidos. E quem são os principais adversários dos mexicanos nesse projeto? Os suecos da Electrolux.

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