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Dono do grupo EBX se diz vacinado contra tensões no mercado financeiro

Para Eike, movimento das Bolsas nos últimos mostra a infantilidade dos investidores
AE
Para Eike, movimento das Bolsas nos últimos mostra a infantilidade dos investidores
SÃO PAULO - "Essa crise sim podemos chamar de marolinha". A frase é do empresário Eike Batista, dono do grupo EBX, que se considera "vacinado" contra as intempéries do mercado de capitais. Só na segunda-feira, Eike viu evaporarem R$ 7,4 bilhões em valor de mercado das sua empresas listadas na bolsa, sendo 5,8 bilhões só de OGX, de petróleo e gás.

Em 2008, durante a grave crise financeira que varreu os mercados, o então presidente Lula usou a mesma expressão para classificar os efeitos que seriam sentidos no Brasil. "Lá (nos EUA), ela é um tsunami; aqui, se ela chegar, vai chegar uma marolinha que não dá nem para esquiar", disse à época.

No ano, as empresas " X " acumulam perdas de R$ 35,6 bilhões em valor de mercado, sendo 31,2 bilhões só de OGX. "Por sermos pré-operacionais, somos os primeiros a sofrer com o movimento de aversão ao risco, embora nossa parte financeira esteja intacta. Nesse momento, todo mundo só quer saber de dividendo", comenta.

Para o empresário, a reação da bolsa brasileira ao rebaixamento da dívida americana prova o quão "infantil" pode ser o comportamento dos investidores em momentos de turbulência. "Chega a ser ridículo se pensar que a dívida americana apresenta algum risco. Eles tem a máquina de fazer dólares e acho que não vai faltar nem tinta nem papel", afirma.

O empresário considera que suas empresas estão uma verdadeira "pechincha" na bolsa. "Se pudesse faria um plano de recompra de 90 dias e dividiria as ações em partes iguais entre as empresas do grupo", conta Eike. Segundo as regras do Novo Mercado, o valor da recompra não pode ser maior do que o saldo de reserva de lucro das empresas. A exceção da MMX, de mineração, as empresas "X" ainda não dão lucro.

Pelo Twitter, o empresário anunciou ontem aumento de 8,5% para os seus funcionários. "Quis sinalizar para o mercado que o mundo real está pegando fogo", diz . "Se você for no aeroporto vai ver que não tem lugar nos aviões. Está tudo lotado. " O empresário descarta qualquer possibilidade de recessão no Hemisfério Norte ou de diminuição da demanda por commodities. Acredita, inclusive, que o Brasil pode se beneficiar do menor ritmo de crescimento na Europa e nos Estados Unidos. "Vai sobrar mão de obra qualificada para nós. É só o que nos falta no momento".