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Para analistas, combinação de juros altos e risco baixo pode atrair mais capital internacional em busca de um bom retorno em tempos de crise na Europa e nos EUA

A estratégia de redução da taxa de juros básica da economia brasileira, a Selic, pelo Banco Central pode ter como objetivo evitar a formação de uma bolha de capital especulativo no Brasil.

Na avaliação do economista André Perfeito, da Gradual Investimentos, com vários investidores no mundo atrás de opções rentáveis para alocar recursos e com um risco relativamente baixo, o Brasil surge com um Eldorado para o mercado financeiro internacional. “O BC está prestando atenção nisto e não irá permitir que esta diferença faça que surja uma bolha por aqui”, afirmou o economista.

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A taxa Selic vem caindo desde agosto do ano passado , quando o Comitê de Política Monetária (Copom) iniciou o processo com os juros em 12,5% ao ano. No último encontro do colegiado do Banco Central, em 18 de janeiro, a taxa sofreu sua quarta queda consecutiva , atingindo 10,5% e, segundo projeções dos analistas do mercado financeiro, deverá continuar caindo ao longo de 2012.

Comportamento da Selic

Evolução da taxa básica de juros desde janeiro de 2009

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Fonte: Banco Central

O Boletim Focus, a pesquisa semanal que a autoridade monetária faz junto às instituições financeiras, projeta a Selic em 9,5% no fim do ano. O próprio Copom admitiu na semana na ata da última reunião grandes chances de a taxa ficar abaixo de 10% no fim de 2012. “O Copom atribui elevada probabilidade à concretização de um cenário que contempla a taxa Selic se deslocando para patamares de um dígito”, afirmou o BC no documento.

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Na avaliação de Perfeito, o BC introduziu na ata um tema muito interessante, antes ignorado nas ponderações da Gradual sobre os juros. “O descolamento entre o que é praticado no Brasil em termos de juros e o resto do mundo está gerando uma demanda elevada por títulos domésticos e, com esta demanda, a taxa de juros deve cair à força”, segundo o economista.

“Não é segredo para ninguém que os juros no Brasil são elevados, mas a novidade aqui não são os juros, mas a percepção de risco sobre nossa economia que melhorou sensivelmente nos últimos anos seja porque nós melhoramos de fato ou porque o resto do mundo piorou. A questão é que o Brasil está tanto em termos absolutos como relativos melhor do que anos atrás”, acrescentou o especialista da Gradual.

De acordo com o professor de economia do Insper Instituto de Ensino e Pesquisa, Alexandre Chaia, a redução da taxa de juros mostra que o Banco Central e a equipe econômica têm como foco a redução do custo da dívida, uma vez que o governo capta recursos no exterior emitindo títulos do Tesouro que são remunerados pela taxa de juros Selic.

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“O BC está seguindo uma linha mais focada no crescimento da economia e menos no controle da inflação”, disse. “Nesse contexto, reduzir a remuneração que se paga aos investidores significa mais recursos em caixa que podem ser utilizados para investimentos no crescimento da economia”, acrescentou.

Taxa de juros na vida do cidadão comum

O Copom utiliza a taxa de juros Selic como instrumento de controle da inflação por meio da moderação da oferta de crédito e, por consequência, do consumo.

Em um cenário de economia aquecida, a procura por bens e serviços cresce e há dificuldade para a indústria, o comércio e o setor de serviços suprirem as demandas dos consumidores na mesma intensidade do aumento da procura.

Como a demanda e a oferta não têm o mesmo ritmo, os preços acabam subindo, gerando inflação.
Quando eleva a taxa básica da economia, o BC busca estimular a poupança interna e conter a expansão excessiva da demanda por bens e serviços.

No sentido oposto, quando inicia um ciclo de corte na taxa de juros a autoridade monetária sinaliza um maior estímulo para a expansão do consumo, como por exemplo, para evitar impactos de uma recessão que possa ser gerada por efeitos da economia internacional ou pelo próprio ritmo da economia local.

A próxima reunião do Copom acontece nos dias 6 e 7 de março. A expectativa dos analistas é de que a autoridade monetária promova um novo corte na taxa de juros, levando a Selic para 10% ao ano.