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Metade dos 18 países que deverão apresentar retração no PIB em 2010 são europeus, segundo um levantamento do Banco Santander

A economia mundial se recupera, crescendo acima de 3%, a despeito do fraco desempenho da Europa. Mas o efeito da crise europeia sobre o Produto Interno Bruto (PIB) mundial não é tão relevante quanto parece indicar a percepção geral.

Metade dos 18 países que deverão apresentar retração no PIB em 2010 são europeus segundo um levantamento com base em dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgado nesta sexta-feira pelo Banco Santander. O trabalho mostra que 132 de 150 países terão expansão em suas economias ao longo deste ano.

"O mundo já está acostumado a crescer sem depender da Europa", diz o economista José Juan Ruiz, diretor de análise estratégia do Banco Santander para a América. O impacto da crise europeia, que afeta países como Espanha, Irlanda e Grécia, tem efeito de reduzir apenas 0,05% do PIB americano e 0,25% da economia chinesa.

"O mundo que vem é melhor para a América Latina, que cresce acima da taxa de expansão mundial", disse Ruiz. A expectativa é que a região cresça 4%, tendo o Brasil na liderança com 7,6%, segundo projeções do banco espanhol.

Para o economista, a Europa passará por um ajuste ao qual já está acostumada. "Os países fizeram ajustes para entrar no euro", destacou. Ele lembra que existem divergências grandes entre as dezenas de países europeus, mas as grandes economias responsáveis pela maior parte da riqueza têm grandes semelhanças.

Aposta no Brasil

O Santander, que reiterou seu plano de abrir 600 agências no Brasil nos próximos três anos, aumentará sua presença onde deverá colher a partir deste ano a maior parcela do seu lucro, superando a matriz espanhola.

"Vamos aumentar nossa capacidade instalada no Brasil", disse o diretor-geral financeiro, José Antonio Álvarez. Ele enfatizou que o banco está empenhado em reduzir os custos de suas operações, mas acrescentou que esses cortes não vão afetar o atendimento ao cliente.

O Banco Santander adquiriu o Banco Real no fim de 2008 e tornou-se o terceiro maior banco privado no Brasil. O banco espera capturar cerca de US$ 900 milhões em sinergias, reduzindo a duplicidade em determinadas atividades internas.

Álvarez disse que o Santander está longe de ser afetado pelo risco da economia espanhola. Nesta semana, a Moody´s colocou o país em suspeita indicando que poderá reduzir a nota de classificação de risco da dívida espanhola.

Segundo o diretor do Santander, o eventual rebaixamento da nota não afeta diretamente a instituição. "A possibilidade a Espanha ter uma nota mais baixa deixará ainda assim a acima da América Latina", explicou.

O repórter viajou a convite do Banco Santander

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