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Patricia Souza. Tóquio, 12 set (EFE).- A economia japonesa registrou no segundo trimestre do ano sua maior contração em quase sete anos, algo que a aproxima perigosamente da recessão, estimulada pela diminuição do gasto das empresas e da diminuição das exportações.

O Escritório do Gabinete do Japão informou hoje que o Produto Interno Bruto (PIB) do país diminuiu 3% entre abril e junho em termos anualizados, seu pior resultado desde o terceiro trimestre de 2001 e 0,6 ponto percentual a mais do que o previsto há um mês.

Entre abril e junho, a segunda economia do mundo caiu 0,7% em relação ao PIB de janeiro a março, informou hoje o Governo japonês ao anunciar sua revisão do relatório preliminar que divulgou no último dia 13 de agosto.

Todos os indicadores foram negativos no segundo semestre, conseqüência, segundo o ministro da Economia, Kaoru Yosano, do esfriamento da economia global e do aumento dos preços das matérias-primas.

O gasto de capital diminuiu 0,5%, o investimento em habitação caiu 3,5%, as exportações tiveram queda de 2,5% e o consumo, que representa 55% do PIB japonês, sofreu uma contração de 0,5%.

Apenas a queda na demanda interna representou 0,7% do PIB da segunda economia do mundo, e a das exportações 0,1%.

No ano fiscal de 2007, quer terminou em 31 de março, o Japão registrou um crescimento positivo de 1,5%, em seu sexto ano consecutivo de expansão econômica.

No entanto, a fase de expansão parece ter sido concluída, segundo o próprio Governo e a maior parte dos analistas, que esperam também um resultado negativo no terceiro trimestre e, portanto, o retorno técnico da recessão na economia japonesa.

O ministro da Economia voltou a pedir hoje às empresas japonesas que aumentem os salários de seus funcionários para impulsionarem o consumo, algo ainda mais improvável por causa da queda dos lucros corporativos.

Ontem mesmo foi divulgado que os pedidos de maquinaria do setor privado do Japão diminuíram 3,9% em julho, o que significa que o setor manufatureiro tenta diminuir a despesa de capital.

Os analistas afirmam que a economia japonesa, embora atualmente em uma situação menos complicada que a dos Estados Unidos ou a de alguns países europeus, está imersa em um círculo vicioso, sobretudo pela forte queda das exportações, que até agora tinham sustentado seu crescimento.

Diante de uma menor demanda de seus produtos por causa da crise nos EUA, as empresas japonesas não investem, diminuem sua produção e enfrentam um cenário de lucros menores.

Ao mesmo tempo, o consumo interno não aumenta em virtude da falta de aumentos salariais e do aumento dos preços. A inflação cresceu 2,4% em julho, sua maior alta em uma década no Japão, país onde o risco esteve durante uma década associado à deflação.

Para o atual ano fiscal, que será concluído em março de 2009, o Governo previu um crescimento do PIB de 1,3%, mas o governador do Banco (central) do Japão (BOJ), Masaaki Shirakawa, calcula que o comportamento da economia japonesa continuará sendo fraco.

As taxas de juros estão no Japão em 0,5% desde fevereiro de 2007, as mais baixas do mundo industrializado, mas a união de um crescimento baixo com uma inflação alta quase não oferece margem para que o BOJ as modifique.

Paralelamente, o Governo japonês também revisou hoje a produção industrial de julho, que cresceu 1,3% em comparação ao mês anterior, nove décimos a mais do que o estimado inicialmente. EFE psh/fh/fal

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