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SÃO PAULO - Em um dia marcado pela pequena oscilação no cenário doméstico e internacional, a moeda americana encerrou os negócios praticamente estável, com leva queda de 0,05% ante o real, negociado a R$ 1,824 na compra e a R$ 1,826 na venda. A moeda atingiu mínima de R$ 1,817 e máxima de R$ 1,828.

Nas duas últimas sessões, o dólar havia subido, refletindo o movimento das commodities e a menor disposição dos investidores a arriscarem, principalmente em meio à expectativa pelo discurso de Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve (Fed).

A fala do dirigente da instituição monetária no Congresso americano revelou-se mais tranquilizadora do que se esperava. Bernanke afirmou que as baixas taxas de juros ainda são necessárias para garantir que a recuperação da economia dure e para ajudar a amortizar os efeitos do desemprego.

No Brasil, o secretário do Tesouro, Arno Augustin, disse que o Fundo Soberano do Brasil (FSB) está pronto para comprar dólares no mercado interno a qualquer momento, mas a notícia não afetou o desempenho do mercado.

Além disso, o Banco Central mostrou que o fluxo cambial estava negativo em US$ 794 milhões de 17 a 19 de fevereiro. A instituição ainda retirou outros US$ 45 milhões por meio dos leilões de câmbio. O saldo líquido no mercado no período ficou negativo em US$ 839 milhões.

"Os mercados hoje se adequaram ao movimento de fora, ficaram se acomodando à situação externa. Passamos por um dia de ajustes, com os investidores analisando o discurso de Bernanke e novas informações da situação na Europa", comentou o gerente de operações da Terra Futuros, Arnaldo Puccinelli.

O gerente chama atenção para o volume de dólar futuro negociado pelos estrangeiros nos últimos dias, que também está trazendo um pouco de tensão para a moeda.

De sexta-feira (19) até ontem (23), o investidor estrangeiro elevou o volume de compra de 280.950 para 307.657 contratos, maior posição assumida neste mês. O net (diferença entre as compras e vendas) passou de 47.607 para 66.048 contratos no período, ou seja, o estrangeiro está com maior aposta contra o real.

"Com a elevação da preocupação lá fora, o estrangeiro recorre ao dólar aqui, porque acredita que terá uma bolsa mais barata e uma moeda mais cara", pontuou Puccinelli.

Na semana, o dólar comercial acumula alta de 1,16% e, no mês, baixa de 3,13%. No ano, a moeda segue valorizada em 4,76% ante o real.

Na roda de "pronto' da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o dólar caiu hoje 0,15%, para R$ 1,8245. O volume subiu de US$ 47 milhões, na terça-feira, para US$ 59,75 milhões hoje. Já os negócios no interbancário aumentaram de US$ 2 bilhões para US$ 3 bilhões no período.

Em leilão de compra de dólar no mercado à vista, realizado pelo Banco Central (BC), a taxa de corte correspondeu a R$ 1,8195.

(Beatriz Cutait | Valor)

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