Tamanho do texto

SÃO PAULO - A sexta-feira foi de forte volatilidade no mercado de câmbio e no final do dia as compras acabaram prevalecendo, o que levou o dólar de volta para a casa dos R$ 2,30. Ao final do pregão, o dólar comercial valia R$ 2,316 na compra e R$ 2,318 na venda, alta de 1,04%.

Mas na semana, a divisa acumulou perda de 0,98%, fechando janeiro com leve baixa de 0,68%.

O Banco Central tentou intervir no mercado pela manhã, mas problemas técnicos impediram o leilão. À tarde o problema persistiu e a autoridade monetária fez a operação via telefone, vendendo moeda a R$ 2,315.

Na roda de "pronto" da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F), a moeda teve alta de 0,96%, fechando a R$ 2,317. O giro financeiro foi de apenas US$ 73 milhões, montante cerca de quatro vezes menor que o observado ontem. Já no interbancário, o movimento foi de US$ 3,67 bilhões, contra US$ 2,6 bilhões de ontem.

Segundo o operador de mercados futuros da Terra Futuros, Daniel Negrisolo, grande parte da instabilidade do dia pode ser creditada à formação da Ptax (média das cotações ponderada pelo volume). Os agentes brigam pela formação de preço, pois essa taxa será utilizada na liquidação dos contratos futuros de fevereiro.

Ainda de acordo com o especialista, a instabilidade no mercado externo também ajuda a colocar o preço da moeda para cima. Hoje, o Departamento de Comércio dos Estados Unidos apontou queda de 3,8% no Produto Interno Bruto (PIB) do país no quarto trimestre, pior resultado desde 1982.

De acordo com Negrisolo, o mercado parece anestesiado com tantas notícias negativas que estacionou em um patamar de preço e os agentes não se arriscam a operar fora dele.

No caso do dólar, a taxa deve seguir entre R$ 2,20 a R$ 2,40 no curto prazo. Tal raciocínio também vale para a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que opera entre os 38 mil e os 40 mil pontos.

Para o operador, os preços seguirão dentro desses "limites" até que saiam notícias com força suficiente para melhorar ou piorar o humor dos investidores.

Outro ponto importante ressaltado pelo especialista está relacionado com o fluxo de recursos no Brasil. Negrisolo lembra que as grandes saídas financeiras não devem ocorrer mais, pois os fundos que tinham que liquidar posição já liquidaram, assim como as empresas já remeteram seus dividendos. Isso tira um dos pontos de pressão de alta na formação da taxa de câmbio.

(Eduardo Campos | Valor Online)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.