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O dólar comercial foi negociado em alta hoje durante todo o dia e fechou as operações no mercado interbancário de câmbio cotado a R$ 1,734, variação de 0,99% em relação a ontem. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar à vista subiu 0,75% e fechou a sessão a R$ 1,728.

Apesar da alta de hoje, a moeda americana acumula em novembro baixa de 1,25% e no ano, de -25,74%.

A taxa de câmbio foi pressionada hoje pelo ambiente externo, de aversão ao risco, e expectativas de que o governo brasileiro pode ainda anunciar nova regra para o câmbio. Este sentimento persiste no mercado porque o lançamento ontem do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 1,5% na emissão de recibos de ações de empresas brasileiras negociados no exterior (DRs) foi considerado um complemento daquela medida adotada há um mês (IOF de 2% sobre ingresso de capital estrangeiro para renda fixa e variável), permitindo equalizar o tratamento tributário aqui e lá fora. Diante da percepção de que o governo está disposto a levar o dólar para outro patamar, de forma gradual, sem estresse e sem gerar riscos de pressão sobre a inflação, o que poderia exigir aumento de juros, os agentes do mercado acreditam que algo novo ainda está por vir, disse o economista Miguel Daoud, diretor da Global Financial Advisor.

Segundo Daoud, a questão central é saber como o País vai crescer a um ritmo de 5% a 6% ao ano, com aumento da demanda interna por meio de incentivos monetário e fiscal, mas controlando a inflação, de forma que a oferta de produtos acompanhe essa demanda e, para isso, precisa de investimentos. "Se não consegue elevar a oferta interna, a compensação ocorre por meio de importações e esta entra no cálculo do PIB com sinal negativo. Assim, se aumenta muito o dólar rapidamente, não há como aumentar a oferta interna para suprir a demanda, o que gera um processo inflacionário, com consequência de aumento de juros", explicou.

No exterior, a Coreia do Sul lançou medidas para conter a volatilidade do câmbio e a Rússia informou estudar formas de controlar o fluxo de capital entre fronteiras, incluindo a possibilidade de cobrar um "imposto Tobin" sobre transações cambiais internacionais. Assim, houve espaço para o dólar subir pela manhã ante o euro e outras divisas, como a libra esterlina. Contudo, à tarde, a moeda norte-americana já devolvia os ganhos ante o euro.

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