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SÃO PAULO - Apesar da queda acentuada da terça-feira, que marca a última sessão do ano, o dólar fecha 2008 com a primeira valorização anual contra o real desde 2002. A moeda estrangeira ganhou 31,34% contra o real, quebrando uma seqüência de cinco anos consecutivos de queda.

Em 2002, a elevação acumulada do dólar foi de 53,2%.

Vale lembrar que toda essa alta foi conquistada nos últimos meses, pois até o começo de setembro o dólar ainda perdia ante o real. Na mínima do ano, registrada em 1º de agosto, a moeda fechou a R$ 1,559, preço que não era observado desde 1999.

Segundo o analista de câmbio da Corretora Liquidez, Mário Paiva, essa forte puxada do dólar em 2008 não é de se estranhar, pois reflete a correção de uma valorização exagerada do real que durou de 2003 a setembro de 2008. " Nada mais natural que a moeda brasileira tivesse tamanha perda de valor em um momento de aversão global ao risco. "
Na sessão de hoje, o dólar operou em baixa desde o primeiro negócio, e encerrou cotado a R$ 2,332 na compra e R$ 2,334 na venda, baixa de 3,35%. Foi a maior perda diária desde 11 de dezembro. No mês, a moeda ainda subiu 0,82%, marcando o quinto mês consecutivo de alta. Só no quarto trimestre a divisa disparou 22,58%.

Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), a divisa perdeu 2,29%, fechando a R$ 2,313. O giro financeiro somou US$ 246,25 milhões, montante mais de seis vezes maior que o observado ontem. Já no interbancário o movimento foi de US$ 5,08 bilhões, cifra expressiva, ainda mais se comparada aos US$ 770 milhões de ontem.

Para o analista, a queda de hoje deve ser encarada como um movimento pontual, reflexo da formação da Ptax (média das cotações ponderadas pelo volume) que irá liquidar os contratos futuros negociados na BM & F.

Os agentes forçaram a taxa para baixo e um sinal claro disso foi o grande movimento registrado no dia, tanto no pronto como no interbancário. Para o analista, boa parte da pressão vendedora pode ser atribuída aos bancos brasileiros.

Paiva reafirma que a tendência da divisa norte-americana segue de alta, porém a valorização deve ser mais moderada. " A alta explosiva já passou, a tendência é subir com menos intensidade. "
De acordo com o analista, é fácil entender por que o dólar não cede. Basta acompanhar as posições compradas (apostas contra o real) no mercado futuro. Os investidores não residentes têm mais de 259 mil contratos comprados, o que equivale a US$ 12,98 bilhões.

Paiva afirma que hoje essa posição pode ter diminuído um pouco, mas não a ponto de inverter a direção do dólar. " Reversão de tendência só quando os estrangeiros mudarem de posição na BM & F. "
Segundo o especialista, essa classe de investidor mantém apostas contra o real, pois sabe que o problema que assola a economia mundial é muito complicado para se debelar. " As taxas de juros já estão próximas de zero e as economias seguem encolhendo. A deflação é o pior pesadelo de um Banco Central. "
(Eduardo Campos | Valor Online)

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