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O mercado de câmbio doméstico operou com fraco giro financeiro e com o dólar em alta durante toda a sessão. As cotações persistiram em terreno positivo por causa de ajustes à valorização externa do dólar em relação ao euro, num ambiente de fortes quedas dos preços de commodities (matérias-primas) e das bolsas de valores pelo mundo todo.

O dólar comercial avançou 1,41% e fechou cotado a R$ 2,222. Na BM&F, o dólar negociado à vista subiu 1,55%, para a R$ 2,224. Às 17h09, o euro perdia 1,52%, a US$ 1,2545.

"A percepção de que a crise financeira global já atinge a economia real, através da retração dos consumidores para gastos e dos resultados abaixo do esperado de empresas e redes varejistas no terceiro trimestre nos EUA e Europa, induziu ainda mais investidores a saírem de aplicações em ações e matérias-primas e a rumarem para o dólar", afirmou o operador José Carlos Amado, da Renascença Corretora. Por isso, a moeda norte-americana ganhou força hoje em relação ao euro. Ainda assim, afirmou Amado, o mercado doméstico não está tomador de moeda. "O que ocorreu ontem e hoje foi muito mais ajustes das cotações à vista ao avanço externo da moeda do que uma correção causada por demanda".

A retração do tomador se refletiu no giro financeiro à vista de hoje, o menor desde 15 de setembro último, que foi a segunda-feira em que o banco de investimentos Lehman Brothers, o quarto maior dos Estados Unidos, anunciou que iria declarar concordata. Hoje, o giro total à vista somou apenas cerca de US$ 927 milhões.

Outro sinal da menor demanda por dólar no mercado interno é a realização pelo BC hoje, novamente, de apenas um leilão de contratos de swap cambial. A exemplo de ontem, o Banco Central vendeu apenas parcialmente a oferta desses contratos. De um total de 10.000 contratos ofertados (equivalentes a cerca de US$ 500 milhões) com vencimento em 2 de fevereiro de 2009, foram vendidos apenas 2.900 contratos, equivalentes a US$ 143,7 milhões. Neste tipo de operação, o BC assume posição vendedora em câmbio e compradora em taxa de juros.

"O mercado dá sinais de que parece estar saturado de contratos de swap cambial. Também não houve demanda pontual de investidor para remessas ou importação, uma vez que, nesses casos, o BC costuma atender a eventual demanda específica por meio de leilão de venda direta de moeda", observou um experiente operador de um banco nacional. Para ele, o prazo curto dos contratos, que exige rolagem no vencimento, além da postura seletiva do BC na definição de taxas podem estar desmotivando o mercado.

No exterior, os investidores reduziram posições em ações e em commodities, temerosos com a menor inclinação dos consumidores aos gastos por causa do contágio da crise financeira global sobre a economia real. Hoje, o pessimismo foi realimentado por notícias sobre empresas norte-americanas, como a de construção de imóveis de luxo Toll Brothers, a cafeteria Starbucks e, mais uma vez, a General Motors. As ações da GM foram cotadas a US$ 2,75 no pior momento do dia, o menor valor desde 1943. Os investidores seguem preocupados com a viabilidade da companhia e de outras montadoras.

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