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A expectativa de que o primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, anuncie um pacote adicional de estímulo econômico e um fluxo financeiro expressivo registrado no começo do dia estimularam vendas de dólares na sessão e a queda das cotações da moeda. O dólar comercial recuou 1,66% e fechou a R$ 2,372.

Na BM&F, o dólar negociado à vista também cedeu 1,66%, para R$ 2,37. O giro financeiro total à vista somou cerca de US$ 3,7 bilhões.

Logo após a abertura, segundo um operador de um banco estrangeiro, houve um registro no Sistema de Informações do Banco Central de um volume financeiro de cerca de US$ 800 milhões, que chamou atenção do mercado. Segundo a fonte, tudo indica que se tratava de fluxo financeiro positivo e os comentários davam conta de que poderia ser de um investidor estrangeiro interessado em aplicar no mercado de renda fixa.

Como o ambiente externo melhorou em meio a notícias sobre a China, os investidores reduziram suas apostas de apreciação do dólar no Brasil. O mercado como um todo se animou com informações de agências internacionais, de que o primeiro-ministro do país, Wen Jiabao, estaria estudando novas medidas de estímulo que poderiam ampliar o pacote atual de 4 trilhões de yuan (US$ 585 bilhões).

Diante da notícia, as bolsas subiram na Ásia, Europa e operam com fortes ganhos nos EUA e Brasil. O dólar caiu em relação a moedas da Europa, que ganharam suporte ainda da perspectiva sobre as reuniões de política monetária do Banco Central Europeu e do Banco da Inglaterra, amanhã. As apostas são de novos cortes de juros por lá.

No Brasil, o Banco Central anunciou que bancos também terão acesso aos dólares das reservas internacionais para quitar dívidas com suas próprias subsidiárias no exterior. A medida já vale para empresas com dívidas em moeda estrangeira. O diretor de Política Monetária do BC, Mário Torós, avaliou que a novidade vai permitir, em última instância, "pulverizar" a utilização dos dólares das reservas, que poderão ser emprestados para número maior de empresas.

Segundo o operador José Carlos Amado, da Renascença Corretora, a extensão da medida aos bancos basicamente poderá tirar pressão da demanda por dólares no mercado à vista por parte de instituições que, eventualmente, precisam renovar empréstimos no exterior. "O BC está oferecendo liquidez aos bancos de modo a evitar que instituições que precisem rolar dívidas no exterior recorram ao mercado à vista e reforcem a demanda, pressionando as cotações", avaliou.

Mais cedo, o BC informou que o fluxo cambial em fevereiro ficou positivo, em US$ 841 milhões, pela primeira vez desde setembro de 2008. No ano, o fluxo cambial está negativo em US$ 2,177 bilhões.

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