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O dólar comercial iniciou as negociações de hoje no mercado interbancário de câmbio em baixa de 0,70% ante o real, cotado a R$ 1,71. Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), o dólar com liquidação à vista abriu em queda de 0,78%, a R$ 1,71.

O suporte de R$ 1,72 que a cotação do dólar vem mantendo há vários pregões pode ser rompido hoje, a depender da compreensão do mercado de câmbio sobre as palavras do ministro da Fazenda Guido Mantega à Agência Estado.

"Do ponto de vista do Ministério da Fazenda" as principais medidas para conter a excessiva valorização do real e volatilidade da taxa de câmbio já foram tomadas, disse ele, referindo-se à cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) no investimento externo direcionado aos mercados de ações e renda fixa e na emissão de recibos de depósitos de ações (DRs). O ministro sinalizou também que outras medidas devem se limitar à liberalização das regras do mercado cambial e devem demorar.

Ao declarar isso, o ministro parece não acreditar que parte da sustentação que o dólar mostra desde o dia 20 de outubro - quando a primeira alíquota de IOF foi implantada - se deve às expectativas de novas ações no câmbio e não ao efeito concreto das medidas, como tem apregoado o mercado.

O rumo dos negócios de hoje poderia esclarecer o que realmente pesa mais, mas ontem à noite outra pessoa de destaque para o mercado fez um discurso que tende a ser visto como contraponto para o efeito Mantega no câmbio, hoje. Trata-se do Prêmio Nobel de economia, Paul Krugman que, em palestra realizada em São Paulo, fez alertas em relação ao risco de uma "bolha" criada pelo excesso de otimismo com Brasil. O economista norte-americano disse também, entre outras coisas, que vai se desfazer de ativos que tem no País e jogou água fria nas expectativas sobre o Brasil.

No exterior, o comportamento do mercado de moedas contribui para que o dólar recue ante o real, com o euro voltando a superar US$ 1,51. Desde que a relação dólar/real se mantém acima de R$ 1,70 e, posteriormente, R$ 1,72, o euro, em direção oposta, saiu de níveis ao redor de US$ 1,48 para permanecer no intervalo entre US$ 1,50 e US$ 1,51. O otimismo do exterior reflete-se também nas bolsas, o que só acentua a perspectiva de mais uma valorização do real.

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