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O dólar comercial abriu em alta de 0,29% hoje, negociado a R$ 1,715 no mercado interbancário de câmbio. No pregão de sexta-feira, a moeda norte-americana fechou em alta de 0,65%, cotada a R$ 1,71.

Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), o dólar com liquidação à vista abriu as negociações em alta de 0,50%, também a R$ 1,715.

Ainda não se sabe, no entanto, o que vai falar mais alto ao mercado doméstico de câmbio. No exterior, ocorre uma queda generalizada do dólar, no rastro das expectativas positivas em relação à divulgação de balanços nos Estados Unidos. Porém, no Brasil, paira a ameaça do governo brasileiro de taxar as entradas de capital. Os profissionais de mercado acreditam que, de maneira geral, o otimismo internacional terá mais influência. Eles argumentam que, por aqui, independentemente da sombra da tributação, as perspectivas de fluxo positivo de recursos seguem inabaláveis. Mas eles admitem que, no primeiro momento, um eventual recuo das cotações tende a ser limitado, enquanto as discussões em torno do mercado de câmbio assombrarem os negócios.

"A maioria dos dólares que entra no País, 60% a 70%, é para investimentos e não para especulação ", disse o operador de câmbio da Finabank, Ovídio Pinho Soares, admitindo, no entanto, que a taxação de capital de curto prazo traria impactos. Ele afirmou que a magnitude da influência é difícil de mensurar e ressaltou que a medida não é bem recebida pelos investidores. Para ele, existe a necessidade de ser fazer algo para conter a valorização do real. Soares sugere outras medidas como, por exemplo, a emissão de papel cambial. Quanto à tributação, Soares avaliou que ela será aceitável se a medida se limitar a dar ao estrangeiro o mesmo tratamento que recebe o aplicador doméstico.

Um outro experiente profissional do mercado concorda que a trajetória do dólar hoje deve ser influenciada pela apreensão em relação às medidas que o governo pode adotar na política cambial. Ele lembra, no entanto, que as notícias sobre fluxo cambial continuam fartas e podem influenciar no decorrer do dia. Segundo esse operador, a captação do banco Panamericano, estimada entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões pelo mercado, deve ser fechada hoje. Além dela, há as captações confirmadas na sexta-feira da TAM (US$ 300 milhões) e da Fibria (US$ 1 bilhão). Cálculos publicados hoje na imprensa estimam que a captação de dívida privada externa, neste mês, soma US$ 6,5 bilhões, o que seria um novo recorde mensal.

A Diretora de Câmbio da AGK Corretora de Câmbio S.A, Miriam Tavares, afirma que a expectativa de que o governo possa tomar alguma medida no câmbio nos próximos dias deve ajudar as cotações do dólar a resistirem a uma queda mais acentuada. Sua estimativa é de que a moeda norte-americana continue oscilando em torno dos R$ 1,70, um pouco abaixo ou acima desse patamar, conforme o cenário externo e o fluxo estejam mais ou menos favoráveis.

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