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Para Roberto Azevedo, EUA consideram que BRICs não merecem barreiras flexíveis

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A Rodada Doha, que busca há uma década um acordo para o fim de barreiras comerciais, está longe de chegar a um consenso, segundo o embaixador Roberto Azevedo, representante do Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC). Na opinião de Azevedo, as negociações não avançaram desde 2008, ou até retrocederam.

"A OMC hoje é muito mais complexa, há muito mais atores, são 150 países envolvidos", explicou. "Não sou muito otimista. Há um nível de ambição, sobretudo da parte norte-americana, que não guarda nenhuma relação com a realidade. O raciocínio do negociador americano involuiu".

Segundo o embaixador, os Estados Unidos argumentam que o mundo mudou ao longo dos últimos 10 anos e uma das principais mudanças é a emergência de uma categoria de países, os emergentes, que se aplicaria, sobretudo, à China, à Índia e ao Brasil. Azevedo conta que os norte-americanos alegam que esses países serão responsáveis por 50% do crescimento mundial na próxima década, que foram países que conseguiram resistir à crise e até alavancar a economia mundial. Por serem países muito competitivos e dinâmicos, teriam que ser tratados de maneira diferente, não merecendo uma flexibilidade nas barreiras econômicas, como os demais países em desenvolvimento.

"Então deixou de ser uma rodada de negociação e passou a ser uma rodada de graduação", definiu o representante do Brasil na OMC. "Então, à luz de todo esse raciocínio, dessa radiografia, a meu ver equivocada porque não traz a realidade dos desafios da economia brasileira, não estou muito otimista com a retomada das negociações de imediato".

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