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Na semana em que o euro ultrapassou a barreira de US$ 1,40, cresce a pressão pela intervenção do Banco Central Europeu no câmbio

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Na semana em que o euro voltou a ultrapassar a barreira de US$ 1,40, a pressão pela intervenção do Banco Central Europeu (BCE) no câmbio da moeda única está crescendo na Europa. A preocupação é com a perda da competitividade econômica do bloco, que teria recuado cinco anos, na análise de especialistas em câmbio e comércio. No centro das pressões está Jean-Claude Trichet, presidente do BCE, que multiplica os apelo ao reequilíbrio das trocas monetárias.

A "guerra cambial" virou o centro do debate econômico na União Europeia na semana passada, depois que o dólar registrou seu mais baixo nível do ano em relação ao euro - antes de voltar ao patamar US$ 1,3913 na noite de sexta-feira. Levantamento do banco BNP Paribas indica que a taxa de câmbio efetiva do dólar, um cálculo que se baseia sobre uma cesta de sete moedas, flutuou de 79,0 em junho a 75,3 em setembro, o que representa uma perda de valor da ordem de 4,7%.

No mesmo período, a desvalorização da moeda americana em relação ao euro foi de 6,8% - de US$ 1,22 em junho para US$ 1,30 em setembro. "No curto prazo, o dólar deve continuar sob pressão", diz Jean-Marc Lucas, especialista em América do Norte da Divisão de Pesquisa Econômica do BNP. Segundo cálculos do banco Natixis, a desvalorização do dólar em relação ao euro, levando-se em consideração o poder de compra nos dois países, é de cerca de 20%.

Conforme Patrick Arthus, diretor de Pesquisas Econômicas do Natixis, um euro deveria valer entre US$ 1,15 e US$ 1,20. Entre analistas europeus, a expectativa é de que a moeda única possa vir a custar US$ 1,50 antes do fim de 2010. "Neste nível, não será possível manter uma produção industrial rentável na zona do euro", afirmou Arthus ao jornal Les Echos.

No meio empresarial, a preocupação é crescente. Na França, a queixa dos empresários reverbera a análise de Louis Gallois, diretor-presidente da gigante aeronáutica EADS, segundo o qual não será mais possível fabricar aviões Airbus na Europa com um euro acima de US$ 1,50. Com o aumento da insatisfação sobre a taxa de câmbio na Europa, cresce a pressão sobre a política de Jean-Claude Trichet à frente do BCE. Ortodoxa, a autoridade monetária se recusa a lançar mão dos mesmos instrumentos já usados pelo Banco Central do Japão e pelo Federal Reserve (FED), nos Estados Unidos.

Entre suas opções estaria a de adotar uma política monetária expansionista, mas o caminho assumido nos mercados pelo BCE é o contrário: reduzir a liquidez do euro. Outra seria intervir no mercado de câmbio, estratégia que segue fora de cogitação. Acuado, Trichet tem se limitado a discursos em favor do reequilíbrio monetário internacional, exortando os mercados a levarem em consideração a situação macroeconômica de cada país. "Mais do que nunca, o valor das divisas deveria refletir os fundamentos econômicos", argumentou Trichet na quinta-feira.

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