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SÃO PAULO - À espera da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) os contratos de juros futuros fecharam em baixa, apostando em um comitê mais ousado, que poderia cortar a taxa básica em até 1 ponto percentual. Atualmente fixada em 13,75% ao ano, a maioria das apostas se concentra em redução de 0,75 ponto na Selic.

Refletindo essas expectativas, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com o vencimento para janeiro de 2010, o mais líquido, fechou com baixa de 0,06 ponto, a 11,15%. O contrato para janeiro 2011 caiu 0,05 ponto, 11,22%. Destoando, janeiro 2012 apontava 11,32%, valorização de 0,03 ponto, depois cair a 11,19% na mínima.

Na ponta curta, o DI para fevereiro de 2009 marcava 12,81%, retração de 0,12 ponto. O vencimento para março de 2009 perdeu 0,08 ponto, projetando 12,77%. E Julho de 2009 caía 0,05 ponto, para 11,91% ao ano.

O pregão foi bastante movimentado na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 906.365 contratos, equivalentes a R$ 84,41 bilhões (US$ 35,85 bilhões), montante 30% maior do que o observado ontem. O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 271.255 contratos, equivalente a R$ 24,55 bilhões (US$ 10,43 bilhões).

O vice-presidente de Tesouraria do Banco West LB, Ures Folchini, afirma que não tem cenário para uma redução inferior a 0,75 ponto percentual na taxa de juros. O especialista trabalha com 60% de chance de corte dessa magnitude e acredita que existe 40% de chance de um corte de 1 ponto percentual.

Folchini lembra que há um consenso quanto à necessidade de redução de juros e que o Banco Central tem que atuar rápido para conter os efeitos defasados do ciclo de aperto monetário feito até setembro do ano passado. Cabe lembrar que as decisões de política monetária levam de 6 a 9 meses para chegar ao lado real da economia.

Ainda de acordo com o especialista, como o Banco Central foi reticente e segurou a taxa em 13,75% em dezembro, ele está um pouco atraso com relação à curva futura. De acordo com Folchini, os cortes na Selic devem somar 2,5 pontos percentuais, com possibilidade de chegar a 3 pontos percentuais.

Folchini avalia que o risco inflacionário passou para o segundo plano em função da perda de atividade e do cenário de retração acentuada que se desenha para 2009. " Nesse momento tem que esquecer a inflação. "
Contribuindo para esse raciocínio, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) apontou que o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) teve deflação de 0,58% na segunda medição do mês, aprofundando a queda de 0,36% registrada na primeira leitura de janeiro.

Na gestão da dívida pública, o Tesouro Nacional efetuou leilão de troca de Letras do Tesouro Nacional (LTN). Do lote de 1 milhão de notas, 350 mil foram tomadas, movimentando R$ 324 milhões.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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