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SÃO PAULO - Os agentes ajustam suas posições no mercado de juros futuros depois da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que, na noite de ontem, subiu a Selic em 0,75 ponto percentual, para 9,5%. Cabe lembrar que, apesar de não existir consenso entre os economistas sobre ajuste de 0,5 ponto ou 0,75 ponto na taxa, o mercado já tinha colocado no preço o aumento confirmado pelo colegiado do BC.

SÃO PAULO - Os agentes ajustam suas posições no mercado de juros futuros depois da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que, na noite de ontem, subiu a Selic em 0,75 ponto percentual, para 9,5%. Cabe lembrar que, apesar de não existir consenso entre os economistas sobre ajuste de 0,5 ponto ou 0,75 ponto na taxa, o mercado já tinha colocado no preço o aumento confirmado pelo colegiado do BC. Segundo o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luiz Otavio de Souza Leal, com a decisão de ontem, o mercado passou a assumir o ritmo de alta de 0,75 ponto com piso para os próximos ajustes. Por isso, os vencimentos curtos seguem ganhando prêmio na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). Por volta das 12h25, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em maio subia 0,28 ponto, a 9,38%. Junho de 2010 ganhava 0,08 ponto, a 9,36%. Julho de 2010 avançava 0,09 ponto, a 9,65%. E janeiro de 2011 tinha alta de 0,11 ponto, a 11%. Já os longos, diz o especialista, ganham viés de baixa, justamente em função dessa ideia de que o Banco Central pode antecipar o ciclo de alta. Também na BM & F, o DI para janeiro de 2012 caía 0,03 ponto, a 12,16%. Janeiro 2013 devolvia 0,09 ponto, projetando 12,46%. E janeiro 2014 recuava 0,12 ponto, também a 12,46%. Leal comentou que uma expressão utilizada no comunicado da decisão do BC chamou a atenção. O colegiado falou que,"dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias", optou pela alta de juros. É exatamente essa ideia de continuidade que se destaca, pois a reunião de ontem marcou a primeira elevação da Selic desde setembro do ano passado."O primeiro movimento do BC talvez não tenha sido a alta de juros, mas sim o compulsório", diz o especialista. Na visão de Leal, essa discussão sobre o depósito compulsório (parcela de depósitos que os bancos não podem emprestar) ser complementar ou substituto à alta de juros deve ocupar os agentes de mercado até que a ata seja divulgada. De acordo com o economista, se a percepção de ação substituta à alta de juros for confirmada, surge a ideia de que o ciclo de ajuste na Selic seja menor do que o mercado está esperando."Agora é esperar a ata para tentar descobrir o que o BC quis dizer com isso." Para o economista-chefe da Prosper Corretora, Eduardo Velho, a atuação do BC sinaliza que ocorreu uma deterioração expressiva do balanço de riscos em relação à trajetória de inflação. Outro ponto destacado por Velho é que alta de 0,75 ponto ratificou que a mudança de alguns membros da diretoria não mudou a posição estritamente técnica para a tomada de decisões do Copom. Algo importante, sobretudo por se tratar do calendário eleitoral. Ainda de acordo com o economista, esse ajuste mais forte sinaliza implicitamente que a taxa de crescimento esperada pelo BC pode ter sido revista para cima. No entanto, isso só poderá ser confirmado com números no Relatório Trimestral de Inflação ou por alguma indicação na ata da semana que vem. "A decisão de elevação dos juros para 9,5% reforça a credibilidade da política monetária e confirma a nossa expectativa da necessidade que um ciclo de aperto mais robusto no curto prazo, para convergir de forma rápida as expectativas inflacionárias até o início do segundo semestre", apontou Velho. Além da reação ao Copom, os investidores conheceram o desemprego de março. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a taxa ficou em 7,6% em março, a menor leitura para um terceiro mês de ano deste o início da pesquisa em 2002. Em fevereiro, a taxa fora de 7,4%. No campo inflacionário, o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) saiu de 0,94% em março para 0,77% em abril. Com esse resultado, o acumulado no ano chegou a 3,56%, maior do que o valor acumulado nos últimos 12 meses. Segundo Leal, do Banco ABC Brasil, isso mostra a tendência forte de alta do índice, que deve fechar o ano próximo de 9%, após ter apresentado deflação de 1,7% em 2009. "Em resumo, além de não mostrar nenhum tipo de alívio nas preocupações com relação à trajetória do resultado corrente do índice, o dado continua a corroborar a sensação de que estamos em um processo de forte pressão de demanda sobre a inflação", pontuou o especialista. Na gestão do endividamento público, o Tesouro vende Letras do Tesouro Nacional (LTN) e Notas do Tesouro Nacional Série F (NTN-F). (Eduardo Campos | Valor)

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