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SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros encerraram a quinta-feira com forte baixa, sugerindo que o Banco Central realizará mais cortes acentuados na taxa básica de juros. Ontem, o Comitê de Política Monetária (Copom) surpreendeu os agentes e reduziu a Selic em 1 ponto percentual, para 12,75% ao ano.

Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o contrato de Deposito Interfinanceiro (DI) com o vencimento para janeiro de 2010, o mais líquido, fechou com baixa de 0,10 ponto, a 11,07%. O contrato para janeiro 2011 caiu 0,08 ponto, a 11,12%, e janeiro 2012 apontava 11,22%, com desvalorização de 0,08 ponto.

Na ponta curta, o DI para fevereiro de 2009 marcava 12,64%, retração de 0,18 ponto. O vencimento para março de 2009 perdeu 0,18 ponto, projetando 12,62%, e Julho de 2009 caiu 0,26 ponto, para 11,68% ao ano.

A sessão foi bastante movimentada e até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 1.110.075 contratos, equivalentes a R$ 102,78 bilhões (US$ 43,65 bilhões). O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 322.220 contratos, equivalentes a R$ 29,21 bilhões (US$ 12,41 bilhões).

De acordo com o economista-sênior do BES Investimentos do Brasil, Flávio Serrano, o Banco Central tinha duas opções. Fazer o ajuste de forma comedida e passar mais tempo reduzindo os juros, ou concentrar o ajuste visando dar um choque nas expectativas.

Pela atuação, avalia Serrano, o colegiado optou pela segunda estratégia e utilizou a comunicação para por limite na expectativa de baixa. O BC faz isso ao comunicar que já implementou "parte relevante" do ciclo de afrouxamento monetário.

Por outro lado, o economista aponta que tal tática de comunicação pode se mostrar precipitada. Basta lembrar que a mudança de cenário resultou em alta mais acentuada da taxa de juros durante 2008, depois de uma abertura de ciclo com reajuste de 0,5 ponto, que o BC também dizia ser "parte relevante" do ajuste.

A questão principal é a evolução dos indicadores de crescimento e inflação. Para Serrano, existe a possibilidade de a atividade começar a se acomodar no segundo trimestre do ano, o que exigiria menor atuação do BC. No entanto, há o risco de piora adicional do quadro, o que traria a necessidade de mais cortes de juros.

No momento, Serrano acredita que o Banco Central faz mais um corte de 1 ponto percentual na Selic no mês de março e fecha o ciclo com uma redução de 0,5 ponto em abril. Com isso, a Selic voltaria para 11,25% ao ano.

Na gestão da dívida, o Tesouro realizou leilão tradicional de Letras do Tesouro Nacional (LTN), Letras Financeiras do Tesouro (LFT) e Notas do Tesouro Nacional Série F (NTN-F). Também aconteceu resgate antecipado de NTN-Fs.

De acordo com o resultado prévio, as vendas de LTN e LFT movimentaram mais de R$ 6,6 bilhões com todos os 5,05 milhões de títulos ofertados tomados pelo mercado. A venda de NTN-Fs girou R$ 87 milhões, com 100 mil contratos tomados de um lote de 300 mil. A compra de NTN-Fs também teve baixa aceitação, com apenas 90 mil contratos movimentados do lote de 300 mil. Tal operação somou R$ 81 milhões.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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