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SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros de prazo mais curto tiveram mais um pregão de pouca oscilação e terminam o dia próximos da estabilidade na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). O mercado opera no aguardo da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e de novos indicadores de inflação que ajudem a consolidas as expectativas quanto a uma elevação da taxa Selic na reunião de abril.

Antes do ajuste final de posições, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para abril de 2010, apontava estabilidade a 8,62%. E julho de 2010 também não registrava oscilação apontando 9,11%. Ainda entre os curtos, janeiro de 2011, o mais líquido do dia, caiu 0,02 ponto, a 10,30%.

Entre os mais longos, os vértices acumularam prêmio de risco. Janeiro de 2012 marcava 11,69%, alta de 0,01 ponto. E janeiro de 2013 ganhava 0,07 ponto, a 12,14%.

Até as 16h15, foram negociados 648.920 contratos, equivalentes a R$ 56,71 bilhões (US$ 31,59 bilhões), metade do registrado na sexta-feira. O vencimento janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 215.740 contratos, equivalentes a R$ 19,97 bilhões (US$ 11,12 bilhões).

Sem grande impacto sobre a formação da curva, o boletim Focus, do Banco Central, mostrou nova piora nas projeções de inflação para 2010 e 2011. A mediana para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no fechamento do ano subiu de 5,03% para 5,10%. Já em 2011 a inflação estimada avançou de 4,60% para 4,70%.

A nona semana consecutiva de piora no prognóstico de inflação seria uma forma de revanchismo do mercado depois de o Comitê de Política Monetário (Copom) manter a Selic em 8,75%, ou um reflexo da preocupação de que a autoridade monetária estaria ficando atrás da curva, ou seja, demorou para ajusta a taxa?
Para a empresa de análises de mercado 4Cast, a segunda opção parece mais plausível e reforça a percepção de que o colegiado do Banco Central agiu de forma política no seu último encontro.

"Concordamos que tecnicamente o Banco Central parece estar ficando atrás da curva, mas também não esperamos que a autoridade monetária venha a apertar muito a taxa de juros ao longo do ano", notou a consultoria, apontando que, dessa forma, cresce a chance de o ciclo de aperto monetário se prolongar por parte de 2011.

Ainda de acordo com a 4Cast, o que preocupa mais do que o ajuste nas projeções de IPCA, é a piora nas perspectivas de preços no atacado. O IGP-DI, por exemplo, subiu pela 10ª semana seguida, passando de 6,24% para 6,74%.

Embora as projeções de inflação continuem piorando, os agentes ouvidos pelo BC não mudaram sua visão quanto ao tamanho do aperto monetário a ser implementado em 2010.

A mediana continua sugerindo taxa Selic em 11,25% no encerramento do ano pela nona semana seguida. No entanto, como notou a consultoria, começa a cair a perspectiva de queda na Selic em algum momento de 2011, já que a mediana subiu de 11% para 11,10%.

Para encerrar, a 4Cast lembra que não falta munição para o que o BC comece a reduzir o ritmo de atividade na economia e que é possível que comece a aumentar a pressão por uma alta de 0,75 pontos percentual em abril, contra o consenso atual de perto em 0,5 ponto.

A agenda do dia também trouxe uma leitura do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), que subiu 0,91% na segunda medição de março, resultado abaixo da mediana de 0,95%.

Na terça-feira, as atenções estão voltada à divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo -15 (IPCA). A previsão é de que a prévia da inflação oficial fique ao redor de 0,60% agora em março.

(Eduardo Campos | Valor)

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