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"Crise não será superada por meio de meras medidas de austeridade e consolidação fiscal", afirmou presidenta

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A presidente Dilma Rousseff voltou a criticar, nesta quarta-feira, em Nova Déli, na Índia, as políticas adotadas pelos Estados Unidos e Europa para combater a crise financeira, mas evitou usar o termo "tsunami financeiro" .

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"(A crise) não será superada por meio de meras medidas de austeridade, consolidação fiscal e desvalorização da força do trabalho. Menos ainda por meio de políticas expansionistas que ensejam uma guerra cambial e introduzem no mundo novas e perversas formas de protecionismo", disse a presidente durante um discurso na Universidade de Nova Déli, onde ela recebeu o título de doutora honoris causa.

Embora os países ricos tenham sido alvo das críticas de Dilma, o discurso poderia ser também interpretado como uma crítica indireta à China. Os chineses são acusados de manter sua moeda, o yuan, artificialmente desvalorizada em relação ao dólar, ganhando assim maior competitividade para suas exportações (que ficam mais baratas do que as de países cujas moedas são mais valorizadas).

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Dilma Rousseff - que está na Índia para participar da Quarta Cúpula dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) - afirmou que a crise teve origem no mundo desenvolvido, mas que países em desenvolvimento, como Brasil e Índia, também têm o que dizer sobre a crise, já que esta ainda tem "preocupantes efeitos sobre as perspectivas de crescimento global".

A presidente, no entanto, decidiu retirar do discurso uma frase em que se referiria a um verdadeiro "tsunami monetário", uma referência a políticas dos Estados Unidos e da zona do euro de tentar combater a crise injetando dinheiro no mercado, em empréstimos aos bancos e desvalorizando suas moedas.

Medidas como esta acabam fazendo com que investidores procurem mercados emergentes, o que pressiona o câmbio.  A valorização prolongada do real frente ao dólar prejudica as exportações nacionais e aumenta as importações, prejudicando a indústria do país.

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A presidente Dilma também destacou, em seu discurso, as parcerias entre Brasil e Índia tanto em comércio bilateral, como em áreas como defesa, ciência e tecnologia e agricultura. De 2003 a 2011, o comércio entre os dois países multiplicou-se por nove, chegando perto dos US$ 10 bilhões.

"Nossas economias revelam-se capazes de dinamismo, de inovação e crescimento, em taxas muito superiores às dos países avançados, o que se acentuou depois da crise de 2008-2009", disse ela.

África do Sul

Após a cerimônia na Universidade de Déli, Dilma Rousseff se reuniu com o presidente sul-africano, Jacob Zuma, em um encontro que durou cerca de 50 minutos. Os dois líderes saudaram a vitória do consórcio Ivepar/ACSA, uma parceria entre empresas do Brasil e da África do Sul, na licitação para a concessão do aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.

Zuma afirmou que há enormes possibilidades de parcerias entre empresas dos dois países, especialmente na construção de rodovias e aeroportos, mas que o grande empecilho para que elas avancem é a questão do financiamento. Ele disse, no entanto, que esse problema pode ser superado com a criação de um banco de desenvolvimento dos Brics, um dos principais assuntos da cúpula em Nova Déli.

Zuma, em uma previsão otimista, levando em consideração que a ideia ainda é considerada embrionária pelo governo brasileiro, disse acreditar que o novo banco já pode estar criado até a próxima cúpula dos Brics, no ano que vem, na África do Sul. Na noite desta quarta-feira, a presidente Dilma participa de um jantar com os chefes de Estado dos Brics, que marca a abertura oficial da cúpula com uma apresentação de música e danças típicas indianas.

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