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Empresários saem de reunião sem se comprometer com investimentos, mas Planalto promente intervir no câmbio e baratear energia

Por quase quatro horas, 25 empresários se reuniram com a presidenta Dilma Rousseff no Palácio do Planalto nesta quinta-feira. Mas o que prometia ser um aperto do governo para cobrar mais investimentos da iniciativa privada terminou sem grandes novidades ou compromissos por parte das empresas.

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“Ela [presidenta Dilma] escutou muito e esclareceu o que o governo pretende fazer para o país continuar crescendo. Ela não disse ‘tem de investir’, mas a medida que mostra que o país tem um potencial grande todo mundo entende [que é preciso investir]”, relatou ao final do encontro a empresária Luiza Trajano .

Segundo a presidente da rede Magazine Luiza, Dilma se comprometeu a melhorar o desempenho do câmbio para diminuir o fluxo de produtos importados, mas sem criar reserva de mercado para as empresas brasileiras.

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Em seguida, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o governo usará mais mecanismos para conter o recuo do real frente ao dólar . “O governo tranquilizou os empresários de que vamos fazer políticas de intervenção no câmbio que não permitam que o real se valorize. Isso é um compromisso do governo”, disse, sem indicar quais medidas intervencionistas estão sendo analisadas.

O governo prometeu também estender a desoneração de 20% de INSS incidente sobre a folha de pagamento para todos os setores industriais. No entanto, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, ressaltou que não há comprometimento do Planalto em desonerar o faturamento das empresas, o que poderia servir para que novos investimentos fossem realizados. "Tira os 20% da folha não compensa em lugar nenhum", disse.

Apesar da crítica, o Planalto sinalizou disposição em reduzir a carga tributária para minimizar os custos operacionais das empresas. Incluindo uma maior pressão sobre os bancos privados para reduzir o spread bancário (juros cobrado sobre empréstimos). “Estavam presentes os principais banqueiros do país, com os quais estamos discutindo reduzir o spread”, afirmou Mantega.

O recado foi dado aos presidentes do Itaú, Roberto Setubal, Bradesco, Luiz Trabucco, e BTG Pactual (Panamericano), André Esteves.

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Mesmo não tendo exigido contrapartida de investimento para aplicar as mudanças, o governo ressaltou o papel do empresariado para atingir a meta de 20% de investimento sobre o total do PIB de 2012 . “Do lado do governo há o compromisso de aumentar os gastos públicos, mas isso só representa 8% dos 20% de investimento que o país precisa”, indicou Mantega. “Estamos viabilizando mais investimentos para eles [empresários] porque estamos reduzindo os custos”, considerou.

O alto custo da energia foi um dos temas colocados pelos executivos como prioritário e o ministro da Fazenda se comprometeu a “achar uma equação para reduzir as tarifas”.

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