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Para analistas, o grande desafio das Big Three americanas - GM, Ford e Chrysler - é sobreviver até o início de 2010. Até lá, a crise econômica deve ter chegado ao fim e as montadoras terão terminado a transição de seu modelo de negócios, focando em veículos menores.

Elas precisam passar por transformações radicais para resistir a esse período de vacas magras, diz Guido Vildozo, analista sênior da indústria automotiva na Global Insight.

As montadoras vão continuar com seu processo de desativação de fábricas, redução de turnos, demissões, diminuição do número de modelos produzidos. Também estão mudando seu mix para veículos mais econômicos, para depender menos dos utilitários. "Elas já começaram a encolher e ainda vão encolher bastante", diz Vildozo.

No ano passado, as três montadoras tinham 56% do mercado americano. Neste ano, a participação caiu para 45%. As japonesas Toyota e Honda, que fabricam carros menores, estão ganhando mercado. "As três empresas não serão mais as Big Three, mas as Detroit Three", diz Vildozo.

O mix vai mudar muito. Apenas 38% das vendas da Ford são carros - o resto são utilitários e caminhões leves. Da GM são 47% e da Toyota e Honda, 62%. "Vai levar muito tempo para elas mudarem, mas vão ser obrigadas", diz David Whiston, analista de indústria automotiva da Morningstar. "Todas estão sofrendo por causa da queda da demanda americana e da alta do preço do aço. E a GM ainda tem de lidar com a Delphi."

Whiston acha que elas vão sobreviver porque ainda têm liquidez - têm ativos para vender e ainda têm acesso a crédito. Mas a situação é muito grave, ele ressalta.

Rick Wagoner começou a reestruturar a GM em 2005 e esperava que a empresa estivesse saudável em 2008, mas a desaceleração econômica e a perda de participação de mercado atropelaram seus planos. A GM teve prejuízo de US$ 15,5 bilhões no segundo trimestre, o terceiro maior da história da companhia. Entre 2005 e 2007, a empresa teve prejuízo total de US$ 50 bilhões. Nos primeiros dois trimestres de 2008, foram US$ 18 bilhões. A Ford teve prejuízo de US$ 8,7 bilhões no segundo trimestre. A Chrysler não divulgou balanço.

As subsidiárias brasileiras têm papel muito importante hoje em dia, depois de anos de prejuízos, e certamente são uma luz em meio às nuvens negras que pairam sobre Detroit, diz Vildozo. Mas o tamanho do mercado brasileiro ainda é muito pequeno para equilibrar as perdas enormes das Big Three nos EUA. O mercado americano, que é de 16,2 milhões de unidades, vai encolher em 2 milhões de unidades neste ano. O mercado brasileiro é de 3 milhões de unidades.

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