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Até novembro, Lisa Traina tinha um emprego glamouroso. Organizava bailes de gala em um tradicional restaurante de Nova York, o Rainbow Room.

Hoje, ela passa a jornada de trabalho nas ruas, tentando convencer sem tetos a buscar abrigo e comida na ONG Bowery Mission.

"Um dia eu trabalhava no topo do mundo", diz ela. "E no dia seguinte, lá estava eu descendo a Broadway e explicando para um sujeito como fazer para arrumar um prato de sopa."
Depois que foi demitida, Lisa, de 50 anos, se alistou no crescente exército de novos desempregados que estão marchando para os escritórios das ONGs em busca de fazer o bem, conhecer pessoas ou simplesmente preencher o tempo que costumavam gastar no escritório.

No mês passado, a procura por trabalho voluntário no site Volunteernyc.org aumentou 30% na comparação com fevereiro do ano anterior. Diante da demanda, a rede de ONGs New York Cares está aumentando o número de cursos de orientação para novos voluntários. As vagas estão sendo preenchidas com três semanas de antecedência.

A Fundação Taproot, ONG de São Francisco especializada em encontrar trabalho voluntário para profissionais de alta qualificação registrou em um único dia de fevereiro mais inscrições do que em qualquer mês do ano passado.

Muitas ONGs estão radiantes com o repentino interesse de banqueiros, gerentes de marketing, contadores e outros profissionais ávidos por emprestar seus conhecimentos formidáveis porém dormentes. A Financial Clinic, que oferece consultoria financeira para os pobres, despachou recentemente um ex-banqueiro formado no MIT para ajudar os pobres em Chinatown a preencher a declaração do imposto de renda.

Mas tanta boa vontade nem sempre é bem vinda. "Está todo mundo influenciado pelo Obama", disse o dirigente de uma ONG. "Não aguento mais receber ligação de voluntários. Parece uma tragédia grega", completa Lindsay Firestone, da Taproot. "Não podemos aproveitar todos esses voluntários fantásticos, pois os recursos diminuíram e as entidades estão cortando projetos."

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