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Hoje tidos como uma indispensável ferramenta de marketing, os apartamentos decorados são criados com o intuito de levar ao futuro comprador de um apartamento a noção de como aquele espaço pode ser aproveitado. Entretanto, não são raras as ocasiões em que o impacto desses espaços vai além do seu propósito e o cliente acaba adquirindo, além da unidade do empreendimento, também a decoração exposta.

Foi o que aconteceu com a empresária do setor de Recursos Humanos, Cristina Comini, que, encantada com a decoração de um empreendimento que visitou, na região do Morumbi, acabou adquirindo o decorado completo. "Quando vi o imóvel montado minha vontade era de me mudar na hora. Ele era exatamente como eu queria", lembra Cristina. A empresária conta que até chegou a visitar outros empreendimentos com condições iguais ou melhores de metragem e preço, mas nenhum a fez brilhar os olhos. "Foi amor à primeira vista. Depois que vi aquele decorado eu já me imaginava morando."

"O ser humano é muito visual e o decorado consegue criar sensações. Ao visitá-lo, a pessoa consegue enxergar o quanto aquele lugar pode ser um espaço para morar bem", explica a arquiteta Débora Aguiar, cujo escritório atende ao setor imobiliário na construção desses espaços há mais de sete anos.

De acordo com ela, histórias como a de Cristina são comuns. Débora conta que recebe muitas demandas de clientes que compram um apartamento e a procuram porque querem morar no espaço montado por ela.

Para Cristina, a opção pelo projeto já pronto reflete-se também em comodidade: "Como o projeto já se enquadrava dentro do que eu buscava só precisei realizar algumas pequenas alterações."

Mercado

Cientes da influência positiva que esses espaços causam nos clientes, incorporadoras e construtoras investem cada vez mais na criação dos apartamentos decorados. Hoje, praticamente 100% dos empreendimentos lançados possuem esses modelos. "A única exceção se dá nos apartamentos de altíssimo padrão, onde a construção de um modelo decorado custaria muito caro", analisa Débora.

De acordo com fontes ouvidas pelo Estado, o valor investido para viabilizar um decorado varia entre 1,5% e 2% do Valor Geral de Vendas (VGV) do empreendimento. "Em um apartamento decorado de alto padrão, costumamos investir uma média de R$ 300 mil entre a contratação da decoradora, a mobília e os acabamentos", explica a gerente de Marketing da Rossi em São Paulo, Rejane Marchiori. "Esses espaços ajudam a tornar tangível aquilo que é invisível, o que é de grande relevância já que o cliente só receberá o produto pronto daqui há algum tempo", diz Rejane.

"É difícil fazer a pessoa enxergar as possibilidades daquele espaço apenas vendo plantas e perspectivas", complementa o gerente-comercial da Schain, Fábio Donegá. Ele destaca que todos os empreendimentos da empresa possuem um ou mais decorado, dependendo de quantas plantas tem.

Sensações

Despertar sensações nos potenciais clientes é outro objetivo dos modelos decorados. "Visitar o decorado é como fazer um test-drive em um carro. Você consegue sentir como é a iluminação, o pé-direito, etc. Coisas difíceis de se ilustrar até em um tour virtual", diz Rejane. Ela salienta que o lado emocional influencia muito na decisão de compra e nesse sentido o decorado pode fazer a diferença. "O comprador vem com os filhos e todos conseguem ter a sensação de como é morar ali", destaca Donegá, da Schain.

Fábio Romano, diretor de Incorporação da Gafisa em São Paulo, também destaca a preocupação da empresa em criar espaços atrativos para os clientes. "O grande volume de vendas que registramos se dá de acordo com a quantidade de potenciais clientes que os corretores conseguem trazer para o estande", diz. "Por isso, tentamos criar apartamentos dos sonhos, que encantem os clientes."

Ele explica que após concluída a etapa de vendas a empresa costuma leiloar toda a mobília entre os compradores. "Além disso, também mantemos parcerias com os fornecedores dos móveis, o que nos permite vender para nossos clientes tudo o que está no decorado a um preço até 50% menor."

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