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Três vezes por semana, o empresário André Santin, de 36 anos, faz o percurso Curitiba-São Paulo. Com seu avião particular, que utiliza a pista do aeroporto de Campo de Marte, ele leva uma hora e dez minutos no trajeto.

No vôo convencional por uma empresa aérea, ele vai mais rápido, em 50 minutos, mas precisa chegar uma hora antes para o check-in - sem contar o tempo gasto até Cumbica ou Congonhas. "Perco muito tempo com toda a burocracia."

O tempo que se ganha também é destacado pelo empresário Ricardo da Silva, de 48 anos. Sua empresa fica em Ponta Grossa (PR). Ele faz a soma para um vôo regular: uma hora e meia até chegar a Curitiba, uma hora para fazer o check-in e 50 minutos de vôo. Com o avião particular, ele chega a São Paulo em 50 minutos. O empresário também viaja a trabalho para Rio Grande do Sul, Rio e Minas.

Para o advogado Ernesto Tzerulnik, de 49 anos, com escritórios no Rio e em Brasília, há outro fator que também pesa na utilização de uma aeronave de pequeno porte. "Posso ir e voltar na hora em que precisar", diz o advogado, que já viajou até o Uruguai.

Tempo e localização são dois motivos que contribuíram para o aumento nas operações no Campo de Marte. Atualmente, ele lidera os embarques em aeronaves de pequeno porte, de acordo com a Infraero. O número de pousos e decolagens aumentou 7,5%, de 48.788 em 2006 para 52.446 em 2007 - por dia, há 288 operações, em média, no aeroporto da zona norte paulistana. No mesmo período, o movimento de aviões com até 30 lugares em Cumbica subiu 33%, de 14.601 para 19.414.

Já o Aeroporto de Congonhas, que liderava no segmento das pequenas aviações, foi na direção contrária: as operações despencaram 16,7%, de 52.078 para 43.646. "Os vôos caíram muito com as restrições à aviação em Congonhas depois do acidente com o avião da TAM, em julho de 2007", admite o assessor especial da presidência da Infraero, Edgard Brandão Júnior. "Muitas vezes, até o dono do avião não embarca por causa do tráfego de aeronaves." Campo de Marte também lidera nas operações de helicópteros, que correspondem a 70% da sua demanda.

"Atualmente, o tráfego de helicópteros em São Paulo supera o de Nova York e o de Tóquio. Considerando que essa pista concentra o tráfego desse tipo de aviação na capital, podemos dizer que ele é o mais movimentado do mundo em helicópteros", diz o superintendente da Infraero, Alex Barroso Júnior.

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