Tamanho do texto

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) investiga a compra da operadora brasileira GVT pela francesa Vivendi. Na noite de ontem, a autoridade do mercado acionário divulgou um comunicado informando ter considerado insuficientes as informações divulgadas pelo grupo sobre as opções de compra de ações da GVT que possui e sobre as que já exerceu.

Em 13 de novembro, a Vivendi divulgou um fato relevante anunciando que havia comprado 37,9% do capital votante da GVT, e ainda havia garantido o direito de compra de mais 19,6%. Com isso, a empresa esvaziou o leilão de oferta de compra de ações da GVT pela Telefônica, que estava marcado para o último dia 19. Um dos pré-requisitos para o leilão era que o grupo espanhol comprasse o controle da GVT.

O grande questionamento feito pelo mercado é sobre quem vendeu as opções de compra de 19,6% para a Vivendi. Ontem, a Vivendi informou ter comprado 8,52 milhões de ações ordinárias da GVT em 17 de novembro do fundo Tyrus Capital. Segundo o comunicado, o exercício das opções foi parcial, porque o grupo francês teria adquirido do Tyrus o direto de comprar 24,93 milhões de ações ordinárias da Vivendi, correspondentes aos 19,6%. O preço foi de R$ 55, mais um prêmio de R$ 1 por ação. As informações foram prestadas em resposta a um ofício da CVM.

A explicação não foi considerada suficiente pela autoridade do mercado de valores mobiliários. "A Vivendi S/A não esclareceu, conforme determinado pela CVM, a natureza dos direitos do Tyrus Capital LLP sobre as ações da GVT Holding S/A, objeto das opções, nem forneceu esclarecimentos adicionais indispensáveis para a correta avaliação da situação pelo mercado", informou a CVM, em comunicado.

Ainda ontem, a CVM enviou um novo ofício à Vivendi, solicitando informações adicionais, com prazo até às 18h do mesmo dia. O grupo francês não respondeu à solicitação. "As investigações conduzidas pela CVM prosseguem e maiores informações serão prestadas ao mercado em momento oportuno", informou a CVM. Procurada, a Vivendi preferiu não comentar o caso.

No dia 13 de novembro, a GVT informou ao mercado que o Tyrus detinha, de maneira indireta, 8,520 milhões de suas ações, o que equivale a 6,63% do capital. Esse foi o montante adquirido pela Vivendi. Não houve aviso posterior da GVT sobre aumento de participação da Tyrus.

Na última semana, a CVM recebeu pelo menos duas solicitações de administradores de fundos de investimento para averiguar as condições da venda da GVT.

Além do próprio processo de aquisição, houve questionamentos sobre a ausência de um indexador para corrigir o preço a ser pago na oferta que a Vivendi fará pelas ações dos minoritários da GVT - o chamado tag along, no jargão de mercado. Os pedidos de análise na CVM foram feitos pela Dynamo Administradora de Recursos e pela GAP Prudential Gestão de Recursos. Procuradas, nenhuma das instituições quis se manifestar.

Com a compra da GVT em 13 de novembro, a Vivendi venceu a Telefônica numa briga pelo controle da operadora brasileira. O preço pago pela Vivendi por ação da GVT, de R$ 56,00, avaliou a operadora em R$ 7,2 bilhões. A Telefônica havia oferecido R$ 50,50 por ação da GVT no leilão que acabou não acontecendo. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.