Tamanho do texto

Por Karen Norton LONDRES (Reuters) - Dois terços dos produtores primários de alumínio da Europa podem fechar as portas em um futuro próximo, devido aos altos custos de energia, afirmou a Associação Europeia de Alumínio (EAA, na sigla em inglês), nesta quarta-feira.

A reunião sobre mudanças climáticas que ocorre na próxima semana em Copenhage pode marcar um primeiro passo em direção a uma solução de longo prazo, mas não vai atender à atual situação crítica da maior parte da indústria de alumínio da região, disse à Reuters o secretário-geral da EAA, Patrick de Schrynmakers.

"Uma substancial fração (mais ou menos dois terços) da indústria europeia de alumínio está sob sério risco no futuro próximo, já que os contratos de longo prazo de fornecimento de eletricidade estão terminando", afirmou o representante.

Analistas também alertam para uma série de fechamentos de fábricas no oeste da Europa, região que produz cerca de 4 milhões de toneladas do metal.

As fábricas produtoras de alumínio da região enfrentam dificuldades com os custos mais elevados de tarifas de energia no mundo, geradas em parte por pesados custos com emissão de dióxido de carbono (CO2), disse Schrynmakers.

Mas o principal problema é que os produtores europeus não conseguem acertar novos contratos competitivos de fornecimento de longo prazo de energia.

"A indústria europeia de alumínio somente pode ter um futuro se houver eletricidade acessível e com preço competitivo", disse.

Analistas afirmam que muitos produtores de alumínio da Europa estão perto de atingir ou já atingiram o topo da curva de custo de produção por causa das despesas com energia. A eletricidade é responsável por 40 por cento dos custos totais dos produtores de alumínio.

Na Europa, os preços de eletricidade estipulados em novos contratos para usuários industriais, como produtores de alumínio, varia de 36,80 euros a 48,60 euros por megawatt/hora (MWh), segundo a EAA. Isso inclui o custo com CO2.

Esse preço se compara com 20 euros por MWh na maior parte da Ucrânia, Estados do Golfo e Islândia. Somente os preços chineses se aproximam dos cobrados de produtores europeus de alumínio, com uma média de 36 euros por megawatt/hora.

A Alcoa informou no mês passado que vai paralisar duas usinas na Itália, depois que a União Europeia ordenou a empresa a pagar a maior parte dos empréstimos estatais que recebeu no país desde 2006. Sem a ajuda, a Alcoa alega que as unidades são inviáveis com as atuais tarifas de energia cobradas na Itália.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.