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Pacote aprovado é de 109 bilhões de euros, bem próximo do originalmente proposto; dívidas serão alongadas e taxas cairão

Os líderes da Zona do Euro concluíram nesta quinta-feira sua cúpula extraordinária com a aprovação de um acordo sobre um novo programa de resgate para a Grécia. "A declaração dos chefes de Estado e Governo foi aprovada", anunciou o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, através do Twitter.

A ajuda total para a Grécia será de 109 bilhões de euros (cerca de R$ 244 bilhões), bem perto do pacote proposto inicialmente, de 110 bilhões de euros. Segundo o comunicado divulgado ao término do encontro, o "programa será destinado, sobretudo por meio da redução nas taxas de juro e do alongamento dos vencimentos, a decisivamente melhorar a sustentabilidade da dívida e o perfil de refinanciamento da Grécia".

Em discurso após o encontro, Van Rompuy afirmou que os líderes europeus farão todo o possível para conter os problemas da dívida grega e de outros países da Zona do Euro.

Além do pacote oficial, o setor financeiro mostrou disposição em ajudar voluntariamente a Grécia e pode contribuir com um total de aproximadamente 50 bilhões de euros no período que vai de 2011 a 2014. Desse total, 12,6 bilhões de euros seriam destinados a um programa de recompra de dívida, enquanto 37 bilhões de euros serão utilizados "em um menu de opções" disponíveis para ajudar os gregos, segundo o documento.

Fundo europeu de resgate

Contribuindo para a melhora do humor do mercado após o final do encontro, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, afirmou que o fundo de estabilidade financeira da Europa será capaz de atuar nos mercados primário e secundário para dar suporte às dívidas soberanas. A resolução constitui um novo caminho para conter a crise que atinge a região.

"O fundo terá permissão para fazer intervenções no mercado secundário quando o Banco Central Europeu disser que esse mercado está deficiente", afirmou o presidente francês em conferência de Bruxelas.

"(O fundo) poderá interferir não apenas no mercado primário de dívida, mas também no secundário", acrescentou ele.

Sarkozy reiterou ainda informações do comunicado divulgado pela zona do euro e afirmou que os empréstimos oferecidos à Portugal e à Irlanda por meio do fundo também terão juros menores e prazos maiores, assim como os créditos que serão disponibilizados para a Grécia.

Os futuros empréstimos do fundo à Grécia terão uma duração de 15 anos a 30 anos, ante 7 anos e meio atualmente, e possuirão um juro equivalente ao de uma linha da União Europeia para socorrer nações do bloco com dificuldades relacionadas ao balanço de pagamentos, atualmente próximo a 3,5%.

Além disso, o presidente da França afirmou que a atual crise da Grécia será vista como um momento de mudança para a zona do euro. "Usamos a crise grega para darmos um salto qualitativo na governança" do bloco monetário, afirmou o presidente francês durante uma entrevista coletiva. "Não podemos manter a moeda desconectada da política econômica", acrescentou.

Não haverá inadimplência

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, disse nesta quinta-feira que "não acredita" que o segundo pacote para a Grécia possa acabar em uma falta de pagamento, e acrescentou que os países da UE "estão preparados" se chegar a este extremo.

"Não acredito que ocorrerá uma falta de pagamento creditício", afirmou Trichet em entrevista coletiva, na qual qualificou de "crucial" o plano de resgate para o país.

Também em coletiva ao final do encontro, o presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, se mostrou convencido de que o acordo vai animar os mercados e com isso, diminuir a tensão e gerar confiança e tranquilidade. "Foi possível um acordo forte, concreto, preciso, que deve transmitir confiança e credibilidade e, antes de tudo, permitir aos países da zona do euro ter expectativas para a recuperação econômica", acrescentou

A satisfação de ambos os líderes é compartilhada pela chanceler alemã, Angela Merkel. "Estou satisfeita com o resultado, pois os Estados-membros demonstraram que estão à altura deste desafio e mostraram capacidade de ação e responsabilidade com a Europa e nossa moeda comum", assinalou na entrevista coletiva.

(Com agências)