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Mais uma vez, indústria da Alemanha puxa exportações

Um aumento nas exportações alemãs de carros e maquinário ajudou a zona do euro a reduzir pela metade seu déficit comercial com o resto do mundo em janeiro, um sinal de que a demanda da comunidade internacional oferece ao bloco monetário sua melhor chance de recuperação da crise econômica.

As exportações dos 17 países da zona do euro aumentaram 11% em janeiro em relação ao mesmo mês do ano passado, trazendo o déficit comercial do bloco para 7,6 bilhões de euros, de um déficit de 16,1 bilhões de euros em janeiro de 2011, disse a agência de estatísticas da União Europeia nesta sexta-feira.

Mas as importações aumentaram apenas 4% em janeiro, realçando os tempos austeros para as famílias europeias prejudicadas pelos cortes orçamentários dos governos, pelo desemprego em alta e pelo impacto da crise de dívida soberana sobre as empresas e o crédito bancário.

Com ajuste por variações sazonais, a zona do euro apresentou superávit comercial de 5,9 bilhões de euros em janeiro, o quinto mês consecutivo no território positivo.

Mostrando a força da economia alemã, que responde por quase 40% das exportações da zona do euro, a Alemanha teve um superávit comercial de 157 bilhões de euros durante todo o ano de 2011. Nenhuma outra nação da zona do euro chegou perto desse número - a Holanda veio em seguida com um superávit de 45 bilhões de euros.

A economia da zona do euro deve encolher cerca de 0,3% este ano, a sua segunda recessão em apenas três anos, mas a crise mascara amplas divergências nos destinos do bloco, com a Alemanha provavelmente escapando da queda, apesar de uma desaceleração no ano passado.

"Nossa expectativa é que a economia na Alemanha vai recuperar o ritmo", disse o economista do Commerzbank Ralph Solveen.

Grécia e Portugal, que já estão em recessão e só foram salvos da falência por causa dos financiamentos de emergência da zona do euro, tiveram grandes déficits comerciais no ano passado e o déficit da Espanha foi um dos maiores do bloco, de 47,2 bilhões de euros.

Em geral, a resiliência alemã diminuiu o déficit comercial da zona do euro com a China para 101,2 bilhões de euros no ano passado, comparado a um déficit de 114,7 bilhões em 2010. O saldo comercial da zona do euro com os Estados Unidos ficou quase inalterado em um superávit de 58,3 bilhões de euros.

Na comparação anual, com base não ajustada sazonalmente, a energia foi responsável pela maioria das importações da zona do euro no ano passado, e o déficit comercial de energia aumentou para 327,8 bilhões de euros.

Grande parte do petróleo e do gás veio da Rússia, onde o saldo comercial cresceu em favor de Moscou em 2011, ampliando o déficit da zona do euro para 57,7 bilhões de euros.

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