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Governo romeno impôs uma das políticas econômicas mais rígidas da Europa para cumprir compromissos estabelecidos com FMI

Milhares de pessoas saíram às ruas de toda a Romênia nesta segunda-feira pelo quarto dia consecutivo para pedir a renúncia do governo, que impõe uma das políticas econômicas mais rígidas da Europa para cumprir compromissos de austeridade estabelecidos com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Segundo a Agência Efe pôde comprovar em Bucareste, os protestos não autorizados se desenrolaram pela tarde (local) no centro da cidade, sob neve fraca e em meio a rígidas medidas de segurança. As forças de segurança detiveram três pessoas que portavam armas brancas, informou o canal de notícias "Realitatea".

Manifestante agita bandeira em prédio em Bucareste
ASSOCIATED PRESS/AP
Manifestante agita bandeira em prédio em Bucareste
Por enquanto, não há registros de graves confrontos, como os que no fim de semana deixaram mais de 70 feridos e dezenas de detidos. Os manifestantes pedem a renúncia do presidente da Romênia, Traian Basescu, e do primeiro-ministro, Emil Boc, ambos de centro-direita, além de exigir eleições gerais antecipadas.

"Basescu é como Ceausescu", gritava a multidão no centro de Bucareste, referindo-se ao ex-ditador romeno Nicolae Ceausescu, fuzilado após a revolução romena do Natal de 1989. Segundo a agência de notícias "Medifax", houve protestos em outras cidades, como Targu Mures, Timisoara, Cluj, Constanta e Pitesti. "Mentiram para nós. Nós pagamos toda a crise e eles continuam nos roubando", disse à Efe um enfurecido aposentado que participou do protesto.

Os manifestantes rejeitam os drásticos cortes sociais e os aumentos de impostos realizados pelas autoridades romenas nos últimos três anos. Os salários do setor público foram reduzidos em 25%, vários subsídios estatais foram diminuídos ou eliminados, enquanto o imposto sobre valor agregado (IVA) passou de 19% para 24%.

As medidas de austeridade buscam cumprir um acordo feito por Bucareste com o FMI, que permitiu à Romênia obter um empréstimo de 20 bilhões de euros em 2009. Enquanto isso, Boc defendeu nesta segunda-feira as políticas de austeridade de seu governo, dizendo que as reformas estruturais e medidas de economia salvaram o país do "colapso" e "estabilizaram" a economia do país. No entanto, ele reconhece que os efeitos benéficos dessa política "ainda não chegaram ao bolso dos romenos".

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