Tamanho do texto

Premiê britânico considerou 'ruim' que país instaure de forma unilateral a nova taxa sobre transações financeiras

selo

Os planos do presidente da França, Nicolas Sarkozy, de implantar um imposto sobre transações financeiras na União Europeia (UE) nas próximas semanas ganharam ontem um inimigo declarado. Em defesa da indústria das finanças do Reino Unido, a City, de Londres, o primeiro-ministro David Cameron anunciou que vetará a adoção da taxa pelos 27 países do bloco. A decisão abre mais uma frente de atrito entre franceses e britânicos, já que o Palácio do Eliseu pressiona pela implantação do tributo a partir de fevereiro.

As restrições impostas por Cameron ao tema já eram conhecidas desde a reunião de cúpula do G-20 de Cannes, em novembro, quando o premiê condicionou seu consentimento a um acordo global sobre o tema. Ontem, em entrevista à rede de TV BBC, o chefe de governo comentou pela primeira vez a iniciativa de Sarkozy. “Creio que a ideia de uma nova taxa europeia que não seria implantada em outros lugares não é sensata e, logo, eu me oporei a menos que o resto do mundo esteja de acordo ao mesmo tempo para que todos adotemos um imposto”, disse o britânico.

Leia mais : França adotará taxa sobre transações financeiras

Cameron considerou “ruim” que um país instaure de forma unilateral a nova taxa, mas minimizou a importância da eventual adoção pela França.

Ao término de uma reunião bilateral com o primeiro-ministro da Itália, Mario Monti, Sarkozy afirmou que “não esperará” que os parceiros europeus entrem em acordo para implantar o imposto em seu país. Hoje, Sarkozy e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, realizam encontro em Berlim para tratar de crise das dívidas na União Europeia, mas também da taxa - à qual a Alemanha é favorável, desde que adotada em nível continental.

O Palácio do Eliseu tem pressa porque pretende fazer do tributo um dos cavalos de batalha do atual presidente em sua campanha à reeleição. O pleito presidencial na França será realizado em abril e maio, e o favorito é o ex-secretário-geral do Partido Socialista (PS) François Hollande.

Veja também : Pacto fiscal europeu será assinado até fevereiro, diz Merkel

Segundo o instituto de pesquisas Ipsos, Hollande tem 28% da preferência do eleitorado, contra 26% de Sarkozy. Sarkozy também terá de enfrentar oposição interna à medida. Ontem, Laurence Parisot, a presidente do Medef, a associação empresarial mais importante do país, disse se opor ao imposto, sob a alegação de que implicará na fuga em massa de bancos do país.

A Associação Paris Europlace, que reúne companhias do setor financeiro da França, disse que a ideia da taxa é “imprópria” porque “enfraqueceria a economia francesa”. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo .

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.