Tamanho do texto

Sindicatos convocaram uma paralisação para protestar contra nova legislação trabalhista, aprovada no começo de fevereiro

O governo espanhol enfrenta a partir da meia-noite desta quinta-feira sua primeira greve geral, convocada pelos sindicatos contra a reforma trabalhista. A greve de 24 horas, convocada em conjunto pelas duas centrais sindicais majoritárias na Espanha - as Comissões Operárias (CCOO) e a União Geral de Trabalhadores (UGT) -, à qual se somaram outros sindicatos, começa à 0h local de quinta-feira (19h de quarta-feira em Brasília).

Leia também:
Espanha prepara cortes em saúde e educação

Espanha pode ser a próxima fonte de contágio da zona do euro

Com a convocação da greve, a oitava da democracia na Espanha, os sindicatos querem expressar a rejeição à nova legislação trabalhista aprovada pelo governo em 10 de fevereiro. A rejeição sindical parte da consideração que o novo marco laboral - uma das primeiras medidas aprovadas pelo governo de Rajoy - danifica os direitos dos trabalhadores, barateia as demissões e não servirá para criar novos empregos em um país que além de ter  5,2 milhões de desempregados, 23 % da população ativ a , ainda enfrenta uma recessão econômica .

O Executivo argumenta, no entanto, que o alto índice de desemprego é a razão principal pela qual é necessária a reforma, que pretende flexibilizar o mercado de trabalho . A reforma visa, além disso, facilitar a contratação de jovens com menos de 25 anos , um s egmento da população na qual o desemprego ronda os 48%.

Leia também:
Espanha fecha 17% de estatais para economizar

Espanhóis vão às ruas para protestar contra reforma trabalhista

Os dois ministros econômicos do Executivo, Luis de Guindos (Economia) e Cristóbal Montoro (Fazenda), advertiram hoje que o Governo não vai modificar sua postura. De Guindos afirmou que independentemente da greve ser considerada um sucesso ou não, "não há dúvida" de que a reforma não será modificada. O ministro da Economia se declarou convencido de que a nova regra "esclarecerá a perspectiva de investimento na Espanha".

"O compromisso do governo com a reforma trabalhista é absoluto e total, é a peça básica do conjunto de reformas", disse. Cristóbal Montoro, por sua vez, assegurou que o Executivo "não vai ceder" perante a greve porque "aprofundaria" uma crise que já destruiu muitos empregos. Para o presidente do governo, Mariano Rajoy, a greve geral não vai servir para solucionar os problemas da Espanha, mas a reforma  servirá para criar empregos e modernizar as relações trabalhistas.

"Os sindicatos têm direito a convocar a greve, e o governo tem a obrigação de seguir fazendo aquilo que acha melhor para o interesse geral", disse Rajoy em Seul, na última terça-feira, após a Cúpula de Segurança Nuclear.

Leia também: Espanha deve aumentar preço de energia e cortar subsídios

A convocação da greve ocorre quando ainda não foram completados os primeiros 100 dias do governo, que concentrou suas primeiras decisões em medidas para reduzir o déficit público e deixá-lo neste ano em 5,3% do PIB como exige a União Europeia , no horizonte que a redução alcance 3% em 2013. Para isso, será preciso fazer drásticos cortes no Orçamento Geral do Estado, que o Executivo apresentará na próxima sexta-feira .

Rajoy antecipou que eles serão de 12% a 15% nos ministérios. Entre as primeiras medidas já adotadas está a alta dos impostos sobre a renda e de bens imóveis, o congelamento do número de funcionários de todas as administrações e a redução em 20% das subvenções a partidos políticos e sindicatos.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.