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Produção nos 17 países da região recua 0,3% de outubro a dezembro

Um colapso nos gastos das famílias, nas exportações e na manufatura tirou o vigor da economia da zona do euro nos últimos meses de 2011, informou a União Europeia nesta quinta-feira, mostrando a amplitude da desaceleração que aparenta ter se tornado uma recessão.

A produção nos 17 países que compõem a zona do euro encolheu 0,3% de outubro a dezembro em relação ao terceiro trimestre, informou a Eurostat, agência de estatísticas da União Europeia, confirmando a última estimativa divulgada no mês passado.

As famílias europeias, sofrendo com profundos cortes de gastos do governo e alto desemprego, reduziram suas despesas em 0,4%, enquanto os gastos do governo caíram 0,2% no quarto trimestre. As importações dentro da zona do euro caíram 1,2%.

Em um sinal de fraca confiança empresarial, a indústria, que abrange desde manufatura até mineração, declinou 2% no período em relação ao terceiro trimestre, na medida em que aumentaram preocupações sobre a capacidade do bloco monetário em honrar suas dívidas.

A intensidade desse declínio diminuiu após a oferta do Banco Central Europeu (BCE) de 1 trilhão de euros em financiamentos de médio prazo aos bancos e um acordo político entre a maioria dos países da UE em se comprometer com austeridade orçamentária, levando os rendimentos de títulos italianos e espanhóis a níveis administráveis.

O presidente do BCE, Mario Draghi, disse na semana passada que ele também vê uma estabilização na confiança dos empresários, embora em níveis baixos, e a principal autoridade econômica da UE, Olli Rehn, disse na terça-feira que vê sinais de melhora na economia europeia.

Mesmo assim, a Comissão Europeia espera que a zona do euro entre em recessão este ano, com a economia se contraindo 0,3%, e há grandes divergências entre o destino da endividada Grécia e a eficiente Alemanha, puxada pelas exportações.

A Grécia deve sofrer outro ano de recessão em 2012 e provavelmente não retornará ao crescimento até 2014, enquanto a Alemanha e a França, as maiores economias da zona do euro, parecem escapar de uma contração este ano.

A divergência também ficou clara no último trimestre de 2011, quando a Itália, a terceira maior economia da zona do euro, viu sua produção encolher 0,7%, enquanto a França se expandiu 0,2%.

(Reportagem de Robin Emmott)

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