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Após quase três décadas de rápido crescimento quase ininterrupto, país tem um ritmo econômico ainda forte mas menos surpreendente

Atualmente as noites são um pouco mais escuras na principal metrópole do sudeste da China, um dos principais e maiores centros de exportação do país.

Este é apenas um sinal da desaceleração da perspectiva econômica da China desde que o premiê Wen Jiabao reduziu a meta do governo para o crescimento mínimo de 2012 para a menor taxa registrada nas últimas duas décadas.

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Em Guangzhou, as construções costumavam ficar iluminadas durante a noite para que o trabalho pudesse ter continuidade, com o objetivo de finalizar novas torres residenciais e escritórios o mais rápido possível. Mas agora, diante de uma crise imobiliária que atingiu todo o país, as construtoras não estão iniciando nenhum novo projeto ou se esforçando para terminar aqueles já existentes, por isso não há mais necessidade de tanta iluminação noturna.

Lojista à espera de clientes em estabelecimento próximo a um complexo habitacional em Guangzhou, na China
The New York Times
Lojista à espera de clientes em estabelecimento próximo a um complexo habitacional em Guangzhou, na China
A economia chinesa, depois de quase três décadas de rápido crescimento quase ininterrupto, parece estar se contentando com um ritmo ainda forte, porém menos surpreendente. Mas alguns setores estão enfrentando alguns problemas, incluindo o setor de exportações e o de construção de imóveis residenciais de luxo.

Wen disse em seu relatório anual ao Congresso Nacional do Povo na manhã do dia 5 de março em Pequim que o governo havia diminuído a sua meta de crescimento econômico dos 8% que Pequim havia estabelecido como meta de crescimento mínimo nos últimos anos para 7,5% em 2012. Se houver crescimento de apenas 7,5%, ele será o menor registrado no país nos últimos 22 anos.

Durante o discurso de Wen, que foi transmitido nacionalmente e assistido em aparelhos de TV em inúmeras lanchonetes e lojas em Guangzhou, o clima nas construções e fábricas parecia se tornar mais pessimista.

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O crescimento mais lento reflete em parte uma tentativa do governo de focar o rumo da economia no consumo pessoal, dando menor ênfase nas exportações e nos investimentos de grandes projetos de construção civil doméstica e de infraestrutura. No entanto, desde meados de fevereiro oficiais do governo deram uma série de sinais de que o crescimento pode estar desacelerando mais do que eles esperavam.

No dia 18 de fevereiro, o Banco Central deu permissão para os bancos comerciais administrados pelo Estado emprestarem uma parcela maior de seus recursos. O Ministério do Comércio anunciou que na semana que vem irá apresentar planos elaborados para aumentar os descontos fiscais para os exportadores, já que problemas financeiros enfraqueceram a demanda na Europa, um dos maiores mercados de exportação da China.

Lavanderia popular em área de construção de condomínios em Guangzhou: governo fixou meta de crescimento da economia em 7,5% para 2012, a menor em mais de duas décadas
The New York Times
Lavanderia popular em área de construção de condomínios em Guangzhou: governo fixou meta de crescimento da economia em 7,5% para 2012, a menor em mais de duas décadas

O Ministério do Comércio também disse estar buscando outras maneiras de reverter uma queda no investimento estrangeiro neste inverno, provenientes principalmente da Europa e dos Estados Unidos.

Pouco depois do anúncio de Wen, dezenas de futuros trabalhadores à espera de entrevistas de emprego circulavam diante das grandes portas da indústria de eletrônicos Liteon Guangzhou. Atrás deles se encontravam agentes de emprego que haviam trazido os trabalhadores de ônibus e esperavam por suas comissões, pagas pela empresa pela ajuda em encontrar trabalhadores disponíveis para preencher suas vagas.

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O governo ordenou um aumento acentuado na construção de moradias de baixa renda. Os funcionários da empresa Hitachi instalavam elevadores na manhã do dia 5 de março em edifícios de apartamentos em fase de acabamento perto do centro de Guangzhou para que sejam vendidos a moradores de baixa renda. Mas tanto em Guangzhou quanto no resto da China, acredita-se que sejam necessárias ligações políticas para que as pessoas possam realmente comprar tais apartamentos, que devem custar menos por metro quadrado do que uma propriedade comercial.

As exportações também têm sido fracas neste inverno e esta tendência deve continuar, de acordo com estatísticas feitas em fevereiro que devem ser divulgadas no fim desta semana, após o ajuste do Ano Novo Chinês.

Zhu Wei, o gerente de exportação da High Hope Zhongding Corp, fabricante de faróis e lanternas em Nanjing, disse em uma recente entrevista por telefone que as encomendas caíram 30% em relação ao ano anterior e que este número ainda deve piorar, principalmente por causa da situação da economia europeia.

Líderes empresariais chineses reclamam que o aumento do salário mínimo e leis trabalhistas mais rigorosas estão elevando os custos e minando a competitividade de seu país, disse Stanley Lau, vice-presidente da Federação das Indústrias de Hong Kong, uma associação comercial cujos membros empregam 10 milhões de pessoas na região do Delta do Rio Pérola.

"O salário mínimo está aumentando muito e rapidamente, e também temos que nos preocupar com as novas leis – que são muitas e estão sendo introduzidas de uma maneira muito rápida", disse ele.

(Por Keith Bradsher)

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