Tamanho do texto

República já rejeitou no passado dois tratados europeus antes de aprová-los meses depois

A Irlanda organizará no dia 31 de maio o referendo prometido sobre o novo pacto orçamentário europeu, anunciou nesta terça-feira no Parlamento de Dublin o primeiro-ministro Eamon Gilmore."O governo realizará uma campanha informativa completa para ter certeza de que os que votarem estarão informados sobre os conteúdos do tratado para facilitar um debate completo sobre a decisão que o país tem que tomar", disse Gilmore.

A consulta irlandesa será seguida com atenção pelos demais países europeus, uma vez que a república rejeitou no passado dois tratados europeus (o de Niza em 2001 e o de Lisboa em 2008), antes de aprová-los meses depois em uma segunda consulta popular.Segundo a sondagem RedC, publicada no domingo no Sunday Business Post, 49% dos irlandeses se declararam favoráveis a esse pacto destinado a fortalecer o euro. Cerca de 33% se diziam contrários e 18% indecisos.

O novo pacto de disciplina fiscal, firmado no início de março por 25 dos 27 membros da União Europeia (UE), prevê que os países que o assinarem introduzirão em sua legislação "regras de ouro" sobre o equilíbrio nas contas públicas e serão sancionados mais facilmente se não cumprirem os limites do déficit.Segundo a sondagem RedC publicada no domingo no Sunday Business Post, 49% dos irlandeses se declararam favoráveis a este pacto destinado a fortalecer o euro, contra 33% que dizem o contrário, enquanto que 18% seguem indecisos.

Como a coalizão governamental formada por Fine Gael de Kenny e os trabalhadores de Gilmore, o principal partido de oposição, o Fianna Fáil, anunciou que fará campanha pelo 'Sim' por que, como disse seu líder Micheal Martin, será "bom para a Irlanda, pois é o correto para o país e também para a Eurozona".Já para os nacionalistas do Sinn Féin, o pacto é ruim para Irlanda e para a UE."O pacto institucionalizará a austeridade na legislação nacional e internacional para sempre", disse seu líder, Gerry Adams, durante o debate parlamentar.

O primeiro-ministro irlandês, Enda Kenny, anunciou ao final de fevereiro a convocação deste referendo, dizendo que este era necessário por ser "um instrumento externo específico para a arquitetura do tratado da UE".O novo tratado, que também estabelece um teto de 0,5% do PIB do déficit estrutural, foi exigido por Berlim em troca de manter sua solidariedade financeira com os países mais frágeis da Eurozona.

Ao final de 2010, a Irlanda, à beira da quebra devido aos problemas do seu setor bancário, teve que firmar um plano de resgate de 85 bilhões de euros (114 bilhões de dólares) com a UE e o Fundo Monetário Internacional (FMI) em troca de um duro plano de ajuste.Caso o Estado não ratifique o novo tratado - que entrará em vigor quando 12 Estados o tenham ratificado - o país não poderá voltar a aspirar à obtenção de um empréstimo da UE.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.