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No país, estima-se que mais de 700 mil pessoas tenha sido afetadas pela venda de ações preferenciais desde 2008

Pequenos investidores se manifestaram nesta quinta-feira em dezenas de sucursais bancárias de toda a Espanha, sob a alegação de terem sido enganados ao comprar ações preferenciais e outros produtos que lhes teriam sido apresentados como investimentos seguros.

Soprando seus apitos e panelas, cerca de cinquenta manifestantes se concentraram em frente à sede do Bankia, quarto banco espanhol, em Madri.Temas como "Basta já de abusos do banco" ou "Enfrente o banco, lute por seus direitos", podiam ser lidos nos cartazes dos manifestantes."Pelo volume (de ações preferenciais) emitidos no mercado, estimamos que 700.000 pessoas foram afetadas na Espanha", disse à AFP Fernando Herrero, secretário-geral da Associação de Usuários de Bancos e Casas de Poupança (Adicae, na sigla em espanhol).

Segundo ele, o perfil dos investidores que aplicaram uma parte de suas economias nestes produtos é o do pequeno investidor que, em geral, nunca investiu em produtos de risco.Golpeados pela crise desde 2008, vários bancos espanhóis recorreram à venda de ações preferenciais para inchar seus próprios fundos.

Oferecendo uma remuneração geralmente mais elevada que a dos depósitos à vista, as ações preferenciais têm sido definidas pela Comissão Nacional do Mercado de Valores (CNMV) como um produto "complexo".Este tipo de investimento não permite recuperar seu dinheiro a qualquer momento, explicam os especialistas.

Desde 2008, "a entidade deve realizar um teste sobre os conhecimentos financeiros do investidor" antes de vender este produto, disse a CNMV em um comunicado.Segundo Fernando Herrero, foi dito aos pequenos investidores que eles poderiam recuperar seu dinheiro "em 48 ou 72 horas"."Os investidores têm o direito de reclamar aqui", afirmou à AFP uma porta-voz da CNMV.

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