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Órgão diz que região tem sorte por ser exportadora de commodities

Os países latino-americanos estão se mostrando cada vez mais resilientes aos efeitos de instabilidades internacionais devido à combinação de câmbio e política monetária flexíveis, mas crescente dependência da China e a valorização das moedas locais impõe a necessidade de reformas que levem os países a ter maior produtividade, defende o Institute of Internacional Finance (IIF), em relatório divulgado nesta quinta-feira.

"Um espaço moderado para flexibilização monetária (dependendo da dinâmica inflacionária) e uma posição fiscal relativamente forte têm sido pontos importantes contra a fraqueza global", afirmou a entidade privada que representa as grandes instituições financeiras globais.

O órgão avaliou que a região esta relativamente protegida contra uma possível piora das condições na Europa, por dispor de crescentes reservas internacionais, um sistema financeiro sólido e regulado e ainda por ter na Europa um montante de apenas 16% de sua corrente de comércio externo.

Para o IIF, que previu expansão de 3,7% para o PIB da região este ano e de 4,5% em 2013, a América Latina está tendo "sorte" por ser uma grande exportadora de commodities, cujos preços permanentemente elevados têm ajudado nas contas externas e fiscais de vários países. Excluindo o México, três quartos de tudo o que a América Latina exportou em 2011 foi formado por matérias-primas.

Em outra frente, as commodities mais caras também estão pressionando a inflação, impedindo maior flexibilização monetária para impulsionar o crescimento econômico.
Para o IIF, o excesso de liquidez global e os fundamentos fiscais e externos relativamente bons dos governos latinos, que têm atraído grandes volumes de capital externo e valorizado as moedas locais, evidenciam a necessidade de medidas para aumentar a competitividade da região.

O alerta chega um dia depois de o Banco Central do Brasil ter cortado o juro básico em 0,75 ponto, enquanto o governo se esforça para conter a enxurrada de capital externo para o país e deter a valorização do real contra o dólar.

Segundo o IIF, outro risco forte para a região é uma desaceleração mais forte da China, crescente destino das exportações latinas.

Por Aluísio Alves

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