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Segundo fontes da imprensa, plano de perdão terá adesão maior do que a estimada

A Grécia está perto de concluir a maior reestruturação de dívida soberana da história, já que tudo indica que a maioria dos investidores privados credores do país aceitou participar do plano que prevê a troca de títulos públicos que, na prática, representa um perdão de 107 bilhões de euros.

Às 22h locais (17h de Brasília) terminou o prazo de inscrição dos bancos e fundos de investimento que possuem títulos da dívida pública grega para participar do plano de perdão articulado com o governo de Atenas, otimista em obter pelo menos os 66,7% necessários para o acordo com União Europeia (UE) e Fundo Monetário Internacional (FMI), que emprestarão 130 bilhões de euros ao país.

Faltando os dados oficiais, que serão publicados às 8h locais (3h de Brasília) desta sexta-feira, a imprensa grega noticiava uma participação de pelo menos 80%, número suficiente para concretizar o perdão e até para forçar os credores reticentes a se submeterem a ela por meio das chamadas Cláusulas de Ação Coletiva (CAC).

"O processo vai muito bem", disse à Agência Efe um assessor do primeiro-ministro Lucas Papademos, que preferiu permanecer no anonimato.

Segundo o site de informações "In.gr", que cita uma fonte do registro eletrônico dos participantes do plano, credores de 143 bilhões de euros da dívida grega se inscreveram ao meio-dia desta quinta-feira (7h de Brasília).

Essa quantia representa 80,79% dos 177 bilhões de euros em dívida sob soberania grega (o restante está inscrito sob lei britânica e outras leis fora da Grécia) e 70% do total de dívida a ser reestruturada (206 bilhões de euros).

"Estou otimista sobre o fato de que podemos conseguir um acordo nas próximas horas", disse em entrevista coletiva no Rio de Janeiro o diretor-executivo do Instituto Internacional de Finanças (IIF), Charles Dallara, que representa os interesses dos bancos e cujos sócios se somaram em massa ao perdão.

Segundo ele, o nível de participação poderia chegar a 90%. O otimismo sobre o andamento do plano se refletiu positivamente nos principais mercados financeiros da Europa. A Bolsa de Valores de Atenas, por exemplo, registrou alta de 3,18%.

O plano de perdão da dívida grega, oficialmente chamado de PSI (Participação do Setor Privado), faz parte do plano do Eurogrupo (fórum de ministros de Finanças da zona do euro) e do FMI para reduzir o nível da dívida grega do país dos atuais 165% do Produto Interno Bruto (PIB) ao patamar mais sustentável de 120,5% em 2020.

A reestruturação dessa enorme dívida significará o perdão de 107 bilhões de euros através de uma troca dos bônus atuais por outros depreciados em pouco mais da metade de seu valor. "A Grécia, com o apoio de seus parceiros europeus, desenvolveu um contexto apropriado, com grandes incentivos para a troca de bônus.

Por isso, espero a máxima participação, que será muito importante para a recuperação de nossa economia", disse o primeiro-ministro grego em discurso antes do início do Conselho de Ministros extraordinário de seu governo nesta quinta-feira.

Ele se referia ao fato de que boa parte do novo empréstimo da União Europeia (UE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI) avaliado em 130 bilhões de euros - condicionado ao sucesso do perdão - servirá justamente para financiar a PSI através de incentivos e recapitalizações bancárias. "A PSI representa o terceiro grande passo na aprovação do novo acordo de crédito.

O primeiro foi a adoção do programa econômico da Grécia, o segundo foi a adoção da PSI, o terceiro é completar a PSI hoje e o quarto será a aprovação final do pacote financeiro", explicou Papademos.

Mas, para que se possa executar o perdão, é necessário que ele seja aceito pelas entidades privadas detentoras de 66,7% da dívida grega, um número que, aparentemente, a Grécia conseguiu superar amplamente - para ativar as CAC, é preciso o sinal verde dos credores de 75% da dívida grega.

Esta operação implica o risco de ser interpretada como uma falta de pagamento efetiva por parte das agências de classificação de risco, algo que ativaria os seguros CDS que diversos investidores contrataram para proteger seus bônus diante de um possível calote grego.

Nesta quinta-feira, a Associação Internacional de Permutas e Derivados (ISDA, na sigla em inglês) informou em comunicado que está preparada "por razões de precaução" para decretar uma eventual moratória grega caso Atenas utilize as CAC.

O uso das Cláusulas será decidido nesta sexta-feira em uma teleconferência com o restante dos membros do Eurogrupo, às 17h locais (meio-dia de Brasília). Se a participação de fato superar 90%, a expectativa é que o governo não use as CAC, já que o perdão seria suficiente para apagar de suas contas cerca de 100 bilhões de euros em dívida, principal objetivo do governo Papademos.

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