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Chineses pagaram 2,7 bilhões pela participação do governo português na companhia, superando ofertas da Eletrobras e Cemig

Centro de Lisboa, capital de Portugal
Getty Images
Centro de Lisboa, capital de Portugal
A chinesa Three Gorges venceu a competição para comprar a fatia do governo português na Energias de Portugal (EDP), pagando 2,7 bilhões de euros e superando ofertas das brasileiras Eletrobras e Cemig e da alemã E.ON.

A privatização da EDP era considerada estratégica para demonstrar a habilidade de Lisboa em vender ativos estatais. O acordo com a Three Gorges também contempla investimentos chineses na economia portuguesa em geral.

A operação de venda da EDP era um compromisso assumido por Lisboa após fechar um resgate de 78 bilhões de euros da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI) após seus custos de financiamento saltarem.

A holding estatal Parpública afirmou nesta quinta-feira que a oferta da Three Gorges pela fatia de 21,35 por cento na EDP, maior companhia de Portugal, representou um prêmio de 53 por cento sobre o preço das ações no mercado.

A Three Gorges prometeu elevar fortemente o financiamento da EDP, permitindo que ela pague dívidas e impulsione planos de investimento em projetos de energia renovável.

A Eletrobras disse, em comunicado, que mantém o plano de internacionalização mesmo sem ter saído vencedora na disputa pela EDP, embora não identifique outra possibilidade de compra de participação de ativos no exterior no momento.

"Nosso Planejamento Estratégico para 2020 aponta uma meta de termos 10 por cento de nosso faturamento vindo de operações internacionais. Essa meta não foi alterada e temos confiança de que a atingiremos", disse o presidente da companhia, José da Costa.

APOIO PARA PORTUGAL

A secretária do Tesouro de Portugal, Maria Luís Albuquerque, afirmou que o investimento total na EDP e na economia portuguesa chegaria a 8 bilhões de euros quando incluídos financiamentos de bancos chineses.

"Esse compromisso é um voto de confiança na economia portuguesa e em uma de nossas maiores empresas", disse a secretária a jornalistas após o encontro do gabinete para escolher a oferta vencedora.

O financiamento da China em Portugal será bem-vindo, especialmente porque os bancos portugueses têm uma séria necessidade de dinheiro para levar seu coeficiente de capital para níveis mais elevados.

O Millenium bcp, maior banco do país listado em bolsa, deve ser um dos que vai receber capital, afirmou um representante da Three Gorges.

FOCO EM RENOVÁVEIS

A EDP afirmou que ela e a Three Gorges poderão "combinar esforços para se tornarem líderes mundiais na geração da energia renovável".

A empresa chinesa investirá 2 bilhões de euros em fatias minoritárias em projetos de energia renovável da EDP até 2015. Além disso, a EDP recebeu um comprometimento de um banco chinês de um financiamento de 2 bilhões de euros por até 20 anos.

Isso permite que a EDP estenda suas necessidades de cobertura de financiamento em dois anos, até meados de 2015.

A forte presença da EDP em projetos de energia alternativa e seus negócios no Brasil, por meio da controlada Energias do Brasil, atraíram forte interesse, mesmo com o fato de a EDP ter sido afetada no seu mercado doméstico em um momento no qual Portugal se depara com sua pior recessão em décadas.

O governo português também está vendendo uma fatia na empresa de redes de energia controlada pelo governo REN.

Outros acionistas da EDP incluem a espanhola Iberdrola com 6,8 por cento, a CajAstur com 5 por cento e o Grupo José de Mello com 4,82 por cento. A argelina Sonatrach e a Qatar Holding detêm, cada uma, cerca de 2 por cento da EDP.