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Governo grego prometeu que suspenderá a operação se houver participação inferior a 75% do montante detido pelos credores privados

O principal interlocutor dos credores privados da Grécia previu grande participação na proposta de reestruturação da dívida do país, mas fez um apelo para uma adesão em massa, horas antes do prazo final dado para os investidores se manifestarem.

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"Eu estou otimista de que haverá uma participação muito alta", disse a jornalistas nesta quinta-feira o diretor-gerente do Instituto Internacional de Finanças (IIF), Charles Dallara, sem citar números. "Um acordo deve ser fechado nesta tarde", acrescentou.

Na véspera, o órgão que representa as maiores instituições financeiras globais emitiu um comunicado assinado por 30 bancos, seguradoras e fundos de investimentos declarando adesão à proposta grega equivalente a 84 bilhões de euros, o equivalente a 40,8% do total de 206 bilhões de euros nas mãos de credores privados da dívida elegível para renegociação.

O prazo limite para credores aderirem à operação de troca de dívida da Grécia, que inclui o perdão de cerca de 100 bilhões dos 350 bilhões da dívida grega é nesta quinta-feira, às 17h (horário de Brasília). O governo grego prometeu que suspenderá a operação se houver participação inferior a 75% do montante detido pelos credores privados.

Até o momento, nenhum credor de grande porte manifestou oposição à reestruturação, porém muitos ainda não se manifestaram.

Dallara disse que embora cada credor esteja avaliando sua situação individual, o IIF está incentivando a adesão à proposta grega por parte de todos os sócios da entidade, por considerar que esta é a única opção real.

"Temos que considerar o que disseram Venizelos (Evangelos Venizelos, ministro das Finanças da Grécia) e o comissário Rehn (Comissário Europeu para os Assuntos Econômicos e Financeiros, Olli Rehn, de que não há mais dinheiro e a única opção na mesa é essa", disse.

O acordo pode evitar um calote desordenado da Grécia, que causaria mais turbulência nos mercados globais, alimentando temores de que outros países da zona do euro, como Portugal e Irlanda, também caminhem para o default.

Dallara ressalvou, no entanto, que não há interesse do IIF de intermediar renegociações semelhantes das dívidas soberanas de outros países em crise na zona do euro.

"Não temos nenhum interesse em ter um papel semelhante em outros países", disse Dallara. "Países como Espanha, Portugal, Irlanda, Itália têm cada um seu próprio caminho de ajuste."

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